Religioso
Fariseu ou Publicano? O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não.
24 OUT 2025 • POR Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa - 26-10-2025 • 09h52Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas, Glória a Vós Senhor! (Lc 18,9-14) Naquele tempo, 9Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10"Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. 13O cobrador de impostos, porém, ficou à distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' 14Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado". Palavra da Salvação, Glória a Vós Senhor! - MENSAGEM - No domingo passado, refletimos sobre a necessidade da Oração perseverante: Um apelo muito atual ao homem moderno, tão ocupado e preocupado com tantas coisas, que quase não sobra tempo para si mesmo. E o tempo que sobra gasta na TV ou outras diversões. Mas não basta rezar, precisa rezar bem. E qual é o espírito que deve animar a nossa oração para que seja agradável a Deus e proveitosa para nós? As leituras da Liturgia de hoje nos dão uma resposta. Na Primeira Leitura, Deus afirma que escuta a súplica dos HUMILDES: "A oração do humilde penetra as nuvens..." (Eclo 35,15a-17.20-22a) A nossa oração só tem valor e é acolhida por Deus, quando parte de um coração pobre, humilde e justo e é solidária com todos os oprimidos e empobrecidos. Na Segunda Leitura, Paulo, velho, preso, condenado à morte, medita e reza sobre a sua VIDA. (1Tm 4,6-8.16-18) "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé..." É o testamento de alguém que está com a consciência do dever cumprido e aguarda com humildade e confiança a recompensa de Deus. No Evangelho, Jesus mostra a ORAÇÃO HUMILDE de um pecador, que se apresenta diante de Deus de mãos vazias, mas disposto a acolher o Dom de Deus. (Lc 18,9-14) Os destinatários da Parábola do Fariseu "santo" e do Publicano "pecador" são: "alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros". Os dois rezam no Templo: um espera a recompensa e o outro a misericórdia. O modo de rezar dos dois é bem diferente: O Fariseu pelo caminho do orgulho, o Publicano pelo caminho da humildade. O FARISEU: na frente "de pé" reza satisfeito pelo que é e pelo que faz: Sua oração é longa: é uma arrogante exaltação de si. Agradece a Deus por não ser como os demais, nos quais só vê erros e pecados. É autossuficiente: não precisa de Deus e despreza os irmãos. A sua Salvação não é dom de Deus, mas conquista de suas "boas obras". O PUBLICANO: no fundo de cabeça baixa... batendo no peito. Reconhece com humildade a soberania de Deus e a própria pequenez. Ele precisa de Deus e aceita a salvação que Deus lhe oferece. Sua oração é breve: resume-se em pedir perdão: "Meu Deus, tem piedade de mim, que sou um pecador..." Essa Oração abre o coração à graça, que nos purifica e nos reconcilia. A primeira vista, daria a impressão que o fariseu era mau e o publicano bom. No entanto, o fariseu era "bom praticante" e o publicano praticava injustiças. Mas, quem se comportava bem foi condenado e o pecador voltou "justificado". O fariseu ofereceu suas obras, o publicano sua miséria e seus pecados. E Jesus conclui: "Quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado". A Parábola nos fala de DOIS TIPOS de Pessoas: O Fariseu é modelo do homem "justo", cumpridor de todas as leis, que leva uma vida impecável. Ninguém o pode acusar de ações contra Deus, nem contra os irmãos. Está contente por não ser como os outros. Vai à missa todos os domingos. Paga o dízimo. Confessa de vez em quando. Mas na confissão "não tem pecados". Só tem boas obras a declarar. Na Oração, ao invés de louvar a Deus, louva-se a si mesmo e despreza o pecador. Umas práticas religiosas bem observadas lhe dão a segurança da salvação. CRISTO quer uma religião em espírito e verdade, com o mandamento do amor. E ele a reduz a umas obrigações, para estar em dia com Deus. O Publicano é modelo do homem humilde, que se reconhece pecador. Sente necessidade de Deus, confia nele e lhe oferece seu pobre coração abatido. Aceita com humildade os meios da Confissão, da Missa e da Comunhão. Não se considera melhor do que os outros. Nem os julga. Os novos Fariseus. O FARISAÍSMO é uma atitude religiosa que nos impede de nos ver como somos e deturpa nossa relação com Deus e com os irmãos. Ninguém está isento da contaminação dessa perene soberba humana. PUBLICANOS são todos aqueles que tomam consciência de seus erros e pedem perdão. Quais são os sentimentos que animam o nosso coração na oração? Do Fariseu ou do Publicano? Como pretendemos voltar para casa? Será que muitas vezes não imitamos a posição de suficiência do fariseu? Ao invés de escutar Deus e suas exigências, preferimos convidá-lo a que admire a boa pessoa que somos? Não seria melhor, nos colocar ao lado do publicano, reconhecendo com humildade nossa condição de pecadores, confiando na misericórdia de Deus. Que a nossa oração, em casa e na comunidade, seja sempre humilde, confiante e verdadeira. E, como o publicano, possamos também nós voltar para casa justificados, em paz com Deus e com os irmãos.
