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Empresa é multada em quase R$ 4 milhões após incêndio devastar mais de 2 mil hectares em Coxim

15 OUT 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h01
  Divulgação/MPMS

Uma empresa de transporte foi multada em R$ 3.971.500,00 após um grave incêndio ambiental causado por um caminhão carregado de algodão que pegou fogo na BR-163, em Coxim, no norte de Mato Grosso do Sul. O caso, que aconteceu em 22 de agosto de 2024, teve desdobramentos recentes nos últimos dias, com a aplicação da multa milionária por danos ambientais e o avanço das investigações sobre a responsabilidade do ocorrido.

O incêndio, iniciado às margens da rodovia federal, se alastrou rapidamente pela vegetação seca da região e consumiu mais de 2.300 hectares, atingindo pastagens, áreas protegidas e propriedades particulares. O fogo chegou a devastar porções significativas de reservas legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs), além de impactar diretamente ao menos 31 imóveis rurais localizados entre a BR-163 e o Rio Taquari região de alta sensibilidade ambiental.

O avanço das chamas gerou um dos maiores prejuízos ambientais registrados na região nos últimos anos. Técnicas avançadas de monitoramento, como o uso de drones, imagens de satélite e mapeamento via Cadastro Ambiental Rural (CAR), permitiram quantificar com precisão a área afetada:

1.656,75 hectares de área agropastoril

214,36 hectares de vegetação nativa fora de reserva legal

352,79 hectares de reserva legal

96,3 hectares de APP

O impacto ultrapassou os limites ambientais e afetou diretamente a produção rural, propriedades particulares e ecossistemas frágeis da região pantaneira.

O caso se agravou após a empresa proprietária do caminhão envolvido no incidente não responder aos ofícios e notificações encaminhados pelas autoridades responsáveis pela investigação. O Ministério Público, que instaurou um Inquérito Civil para apurar os danos e buscar responsabilização jurídica, chegou a propor uma composição consensual para reparação dos prejuízos, mas a empresa não apresentou qualquer manifestação.

Como resultado, o processo foi prorrogado por mais 90 dias, o que pode levar a novas medidas judiciais, incluindo ações civis públicas por dano ambiental.

A multa aplicada, de quase R$ 4 milhões, é apenas uma das medidas que podem recair sobre a empresa. Fontes ligadas ao caso indicam que outras sanções estão sendo analisadas, incluindo a possibilidade de bloqueio de bens e indenizações individuais às propriedades afetadas.

A região de Coxim, que integra o corredor ecológico do Pantanal, tem registrado aumento nos episódios de queimadas nos últimos anos, agravados pelas condições climáticas extremas e pela atividade agroindustrial intensa.

A expectativa é que o caso sirva de alerta para o transporte de cargas inflamáveis em regiões de risco ambiental e reforce a necessidade de políticas mais rígidas de prevenção e responsabilização e que todos os responsáveis sejam punidos.