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Orgulhos Coxinenses

Dr. Pedrinho Fontoura: o homem, o rio, o médico

3 OUT 2025 • POR Glenda Melo • 10h01

Há vidas que correm como o rio Taquari silenciosas, constantes, generosas. Assim é a história de Pedro Mendes Fontoura Júnior, ou, como a cidade aprendeu a chamar com carinho e respeito: Dr. Pedrinho Fontoura.
Nascido em Campo Grande, em 8 de novembro de 1953, foi em terras mais ao norte, no coração de Coxim, que plantou raízes profundas, firmes como a margem do rio que tanto ama. Médico por vocação, formou-se pela UFRJ em 1982, mas foi aqui, no calor humano do interior, que fez da medicina mais que uma profissão fez dela um gesto de amor.

Com fala mansa, sempre tranquila, Dr. Pedrinho conquistou não apenas a confiança de seus pacientes, mas a amizade de todos que cruzaram seu caminho. Com um olhar sereno e mãos cuidadosas, atendeu gerações inteiras, sempre com a mesma dedicação de quem enxerga no outro não um número, mas uma vida única, sagrada.
Na lida dos dias, entre consultas e plantões, encontrou seu reduto de paz no rancho à beira do Taquari. Lá, entre uma pescaria e outra, ao som do mato e da água, deixava o tempo correr livre, como menino em férias, como homem em oração. O rio foi seu confidente, o mato, seu abrigo. Ali, Dr. Pedrinho era apenas Pedro um apaixonado por Coxim, por sua gente, por sua terra.


Mas foi na família que ele encontrou seu verdadeiro espelho. Ao lado da companheira de jornada, Deuzilda Nunes da Rocha Fontoura, construiu uma história de amor sereno e cumplicidade. Com os filhos Juliana, Fernando Henrique e Gabriela, colheu o fruto mais bonito de sua existência: a certeza de que viveu para cuidar dos seus e dos outros.
Hoje, aos 71 anos, a vida de Dr. Pedrinho é como uma canoa que singra tranquila pelas águas do tempo, carregando memórias, sorrisos, amizades e gratidão. Um homem que viveu com simplicidade, trabalhou com amor e deixou, em cada canto de Coxim, um rastro de bondade.
E quando o sol se deita por trás das árvores ribeirinhas, e o Taquari canta baixinho sua canção de sempre, é fácil imaginar Dr. Pedrinho ali, com a alma leve, o coração em paz, e um sorriso tranquilo de quem soube, com ternura e coragem, honrar a vida. Há pessoas que não passam pela vida elas permanecem.
Vivem de forma tão serena e verdadeira, que se tornam parte da paisagem, como o velho ipê que floresce toda primavera ou como o rio que segue seu curso, silencioso e sábio. Assim é Pedro Mendes Fontoura Júnior, ou simplesmente, como Coxim aprendeu a chamar com afeto: Dr. Pedrinho Fontoura. Obrigada Dr Pedrinho, sua mansidão e generosidade nos acalentam como colo de mãe. 
 

 

 

O Coração do Rio
 

Para Dr. Pedrinho Fontoura (Por: Glenda Melo)
Na curva mansa do Taquari,
mora um homem de alma leve,
fala calma, olhar de paz,
que aprendeu com o rio
a curar devagar,
a escutar mais do que falar,
a amar com inteireza.
Chamam-no doutor,
mas há quem diga: é mais 
é amigo, é vizinho, é irmão.

É aquele que chega sem pressa,
leva no bolso a ciência,
mas no peito, só o coração.
Entre o nascer do sol e o bater do sino,
ele percorre Coxim como quem acaricia a terra.
Conhece cada rua, cada rosto, cada riso.
E quando o dia se faz pesado,
ele parte pro rancho,
onde o silêncio fala mais alto,
e a alma descansa no colo do rio.

Lá, com vara e paciência,
pescando histórias e memórias,
divide o tempo com os seus fiéis companheiros 
os cães, que o seguem como sombras leais,
guardando não o rancho, mas o coração
de um homem bom.
No terreiro da vida,
plantou três estrelas:
Juliana, Fernando Henrique e Gabriela 
filhos que são seu maior orgulho,
parte do sangue, parte do sonho,
parte daquilo que ele nunca quis deixar de ser:
exemplo.

Ao lado da esposa, Deuzilda,
bordou uma história de amor simples,
feito renda fina: firme, mas delicada.
Com ela, construiu um lar,
onde o afeto é pão e abrigo,
onde o tempo é generoso,
porque é tempo de amor.

E assim ele segue
médico das dores e das ausências,
curador de almas e esperanças,
caminhando sereno pelas margens da vida,
como se cada passo fosse bênção,
como se cada encontro fosse reza.
Coxim o acolheu,
mas ele também a adotou.
Amou-a com o fervor de quem encontra

no lugar certo, o destino exato.
E hoje, a cidade é mais bonita
porque nele pulsa, discreto,
o coração do próprio rio.