Logo Diário do Estado

Palmeiras segue confiando em Gareca

18 AGO 2014 • POR Lancenet • 09h19

A chegada à zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro não diminuiu a confiança da diretoria do Palmeiras no técnico Ricardo Gareca. Mas os sinais dados pelo argentino já deixam os dirigentes temerosos de que ele possa pedir demissão se o time não reagir logo.

O Verdão contratou um dos técnicos mais cobiçados da Argentina e assinou contrato só até o meio do ano que vem. Foi uma exigência dele, que prefere não estabelecer vínculo muito longo para que nenhuma das partes se sinta "presa" caso entenda que o trabalho não está dando resultados.

O clube, porém, atende seus pedidos quase cegamente: todos os reforços para o segundo semestre são argentinos e vieram por indicação de Gareca. O atacante Willian José foi oferecido e, a princípio, empolgou a diretoria, mas o negócio melou um dia depois que o técnico afirmou não conhecer o jogador.

São seis jogos no Brasileiro e nenhuma vitória. Já perdeu para os três rivais paulistas, além dos dois mineiros, e amargou um empate em casa diante do Bahia. Após a derrota para o São Paulo, nesse domingo, o comandante deu o primeiro sinal claro de que pode romper o contrato: disse que "também tem limites" e que sente ter "cada vez menos tempo, cada vez menos créditos".

Mas o receio da diretoria é anterior ao revés contra os tricolores. Depois da derrota para o Atlético-MG, no domingo passado, o presidente Paulo Nobre preocupou-se em conversar com Gareca para se certificar de que ele continuava motivado. Naquele dia, sem justificativa, o técnico se recusou a conceder entrevista coletiva. O atacante Henrique teve de explicar o tropeço diante dos microfones, e o fato não foi bem visto internamente.

Foi, na verdade, uma demonstração de que o argentino pena para se adaptar aos costumes do futebol brasileiro. Ele não gosta de dar entrevistas tanto antes quanto depois dos jogos. Preferia que as exclusivas fossem feitas apenas quando há uma semana inteira sem jogos, embora a demanda seja enorme e ele já tenha sido flexível algumas vezes. A grande quantidade de jornalistas nos treinos e a proximidade que têm com o gramado também o deixaram surpreso. O Vélez, seu ex-clube, está longe de ser tão assediado quanto o Palmeiras.

A distância da família também pesa. A mulher e o filho mais novo estão frequentemente no Brasil, mas o filho mais velho e a filha continuam na Argentina. Além disso, sensação de impotência por não ver o time apresentar em campo o que ele ensaia nos treinos o deixou visivelmente abatido após o Choque-Rei.