Setembro Verde reforça importância da doação de órgãos e inspira histórias de esperança em MS
A servidora Elizangela Ximenes recuperou a visão após transplante de córnea e encontrou no esporte uma nova forma de viver.
1 OUT 2025 • POR do idest • 08h52O Setembro Verde, mês de conscientização sobre a doação de órgãos, simboliza a esperança de vida para milhares de pessoas. Em Mato Grosso do Sul, a história de Elizangela Ximenes, de 41 anos, mostra como um “sim” pode transformar dor em amor e devolver sonhos a quem aguarda por uma nova chance.
Uma vida marcada pela luta contra o ceratocone
Desde a adolescência, Elizangela convivia com dificuldades para enxergar. Aos 14 anos, começou a usar óculos cada vez mais fortes e, após diagnósticos equivocados, descobriu que sofria de ceratocone, doença que deforma e afina a córnea. “Na infância tive bronquite alérgica, e coçar muito os olhos acelerou o processo de deformação”, contou.
Depois de passar por diversos especialistas, encontrou tratamento no Hospital de Olhos, em Campo Grande, com o médico Alexandre Fialho. Foi ele quem a colocou na fila do transplante de córnea em 2019.
A ligação que mudou tudo
Após anos de espera, em novembro de 2023, veio a notícia que transformaria sua vida: a córnea havia chegado. “Era uma sexta-feira. Tive 20 minutos para responder. Fiz a cirurgia em Dourados e deu tudo certo, graças à generosidade de uma família que disse sim”, lembra emocionada.
A recuperação foi imediata e surpreendente. “Antes eu tinha menos de 15% da visão no olho direito. Hoje tenho mais de 80%. Passei de mais de 20 graus de miopia para 1,25. Foi como se eu tivesse ganhado uma nova vida”, disse.
(Foto: Rachid Waqued)
Da visão ao esporte: uma nova paixão
Com a melhora, Elizangela encontrou também uma nova motivação: a corrida. Iniciou com caminhadas leves e, pouco a pouco, começou a treinar. Em junho de 2024, participou da primeira corrida em Jateí, e no mês seguinte, em Dourados. Agora, sonha em alcançar os 7 km.
“Receber uma córnea é sentir um amor gigantesco. Imagino a dor da família, mas essa dor foi transformada em esperança para mim. Por isso, peço que as pessoas conversem com seus familiares e deixem claro o desejo de doar”, reforça.
O desafio da doação em Mato Grosso do Sul
Apesar de histórias como a de Elizangela, a negativa familiar para doação em Mato Grosso do Sul ainda ultrapassa 60%. Isso significa que, em mais da metade das entrevistas, as famílias não autorizam a doação, mesmo quando há possibilidade clínica de salvar vidas.
De janeiro a setembro de 2025, a Central Estadual de Transplantes da SES registrou 218 transplantes de córnea, 39 de fígado, 16 de rim e 4 de ossos, beneficiando dezenas de pacientes em todo o estado.
Setembro Verde: diálogo e esperança
O Setembro Verde busca sensibilizar a sociedade para a importância do diálogo em família sobre o tema. Para Elizangela, cada passo dado nas corridas é também uma forma de agradecimento. “Hoje, cada vez que corro, é como se dissesse obrigada à família que me deu esse presente”, conclui.
