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Nova Diretriz Reclassifica Pressão 12x8 como Pré-Hipertensão e Muda Enfoque

19 SET 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 16h21

Uma mudança significativa na abordagem da saúde cardiovascular acaba de ser oficializada no Brasil. Pela primeira vez, a pressão arterial de 12 por 8, antes considerada o "padrão ouro" da normalidade passa a ser enquadrada como pré-hipertensão. A nova classificação, parte de uma diretriz conjunta de sociedades médicas brasileiras, representa uma virada de chave na forma como se pensa prevenção e controle da pressão arterial no país.

Tradicionalmente encarada como ideal, a pressão de 120/80 mmHg agora será vista com mais cautela. A nova faixa de pré-hipertensão inclui leituras entre 120 a 139 mmHg (sistólica) e/ou 80 a 89 mmHg (diastólica). Na prática, significa que milhões de brasileiros que antes estavam “na média” passarão a ser monitorados de perto.

Por telefone o Dr Fernando Fontoura de Coxim nos disse o seguinte: “O objetivo é identificar precocemente indivíduos com risco cardiovascular elevado, antes mesmo da instalação da hipertensão crônica. Mudanças no estilo de vida como alimentação equilibrada, redução do sal, prática de exercícios e controle do estresse passam a ser recomendadas já nessa fase intermediária. Outro ponto de impacto é a nova meta de controle da pressão arterial em pacientes hipertensos. O valor-alvo, que antes era de 140/90 mmHg, foi reduzido para abaixo de 130/80 mmHg. A mudança vale para todos os pacientes independentemente da idade, sexo ou comorbidades. Essa decisão reflete uma tendência internacional de endurecer critérios com base em evidências recentes que apontam para benefícios clínicos em manter níveis pressóricos mais baixos. A expectativa é que a medida contribua para reduzir eventos graves como infartos, AVCs e lesões renais ao longo do tempo. A nova diretriz não se limita a classificar números. Ela também incorpora um sistema de escore que estima o risco cardiovascular do paciente nos próximos 10 anos. Fatores como tabagismo, histórico familiar, colesterol, diabetes e sedentarismo serão levados em consideração, permitindo um plano de cuidado mais individualizado, finaliza Dr Fernando”

Além disso, a publicação traz capítulos inéditos voltados para contextos específicos como o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) e as particularidades da saúde cardiovascular da mulher  tradicionalmente negligenciada em diretrizes anteriores.

Na prática, a mudança exige adaptação tanto de profissionais de saúde quanto da população. Médicos deverão estar atentos a pacientes que antes passavam despercebidos em triagens e consultas de rotina. Já a população terá o desafio de compreender que “estar dentro da média” nem sempre significa estar saudável.

Apesar do novo enquadramento, os especialistas deixam claro: a reclassificação não significa que todos com pressão 12x8 precisarão de medicamentos. O tratamento continuará sendo individualizado, mas com vigilância e intervenções mais precoces.

Com a nova diretriz, o Brasil se alinha a movimentos internacionais que vêm redefinindo os limites da saúde cardiovascular. Mais do que mudar números, a proposta é ampliar a consciência coletiva de que cuidar do coração começa muito antes do diagnóstico formal de hipertensão.

Essa atualização deve provocar transformações importantes na educação em saúde, no acompanhamento clínico e até mesmo nas políticas públicas de prevenção.