Supermercados Poderão Abrigar Farmácias: Proposta Revoluciona o Varejo e Facilita Acesso
17 SET 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 16h56Uma transformação significativa no setor varejista pode estar prestes a acontecer. A Comissão de Assuntos Sociais do Senado deu sinal verde a um projeto que autoriza a implantação de farmácias dentro de supermercados, abrindo caminho para uma nova forma de acesso a medicamentos em todo o país.
A medida, aprovada com ampla maioria em votação realizada hoje quarta-feira (17), atende a uma demanda antiga do setor e promete alterar profundamente a rotina de consumidores e empresários.
A proposta prevê que supermercados possam operar farmácias em seus estabelecimentos, desde que cumpram requisitos específicos de segurança e regulamentação. Entre eles, a criação de um ambiente isolado e exclusivo, dedicado unicamente ao funcionamento da farmácia com entrada independente, estrutura adequada e total conformidade com as normas da vigilância sanitária.
Além disso, será obrigatória a presença de um farmacêutico em tempo integral no local, garantindo o atendimento técnico e a responsabilidade profissional sobre a dispensação de medicamentos.
Para os consumidores, a novidade representa conveniência e economia de tempo. A possibilidade de resolver as compras do dia e, ao mesmo tempo, adquirir um medicamento prescrito pode facilitar a vida de milhões de brasileiros especialmente em áreas onde o acesso a farmácias é limitado.
Para o setor varejista, abre-se uma nova frente de negócios, capaz de movimentar a economia, gerar empregos e fomentar a concorrência, o que pode impactar diretamente nos preços praticados ao consumidor final.
A proposta foi aprovada em dois turnos na comissão, com votação expressiva no primeiro (13 votos favoráveis e nenhum contrário) e votação simbólica no segundo, o que demonstra o consenso político em torno do tema.
Agora, o texto segue para análise da Câmara dos Deputados. Caso não haja recurso para votação no plenário do Senado, a proposta poderá ser enviada diretamente para os deputados. Se aprovada em todas as etapas, a nova regra ainda precisará ser sancionada pelo presidente da República para entrar em vigor.
Apesar da mudança de cenário, o projeto não abre mão da responsabilidade técnica e do controle sanitário. As regras são claras: mesmo dentro de supermercados, as farmácias deverão funcionar com a mesma estrutura, controle e exigência técnica dos estabelecimentos independentes. O objetivo é manter o padrão de segurança e qualidade no atendimento ao público.
E você leito diário do Estado, é contra ou a favor?
A resposta não é simples, mas é necessária. Se olharmos pelo lado da acessibilidade, a proposta tem méritos evidentes: medicamentos mais perto das pessoas, em locais de grande circulação, com mais praticidade no dia a dia. Em regiões afastadas, onde a presença de farmácias é escassa, isso pode representar um ganho real para a população.
Por outro lado, a medida pode afetar farmácias de bairro, muitas das quais sobrevivem com margens apertadas e dependem da clientela local. A concorrência com grandes redes de supermercados pode ser desigual, e o risco de fechamento de pequenos negócios é real.
Portanto, ser a favor ou contra depende da lente com que se analisa: do ponto de vista do consumidor, a ideia soa positiva. Do ponto de vista do pequeno empreendedor, pode ser um golpe duro.
Talvez a melhor postura neste momento seja a da cautela e do equilíbrio: permitir a inovação, mas criar salvaguardas para que ela não destrua o que já existe. Afinal, avançar não precisa significar excluir pode, e deve, significar incluir mais.
