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Botulismo

Botulismo: doença rara volta a preocupar e exige atenção redobrada com a conservação de alimentos

18 AGO 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h14
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O recente surto de botulismo na Itália, que resultou em duas mortes, reacendeu o alerta global para os riscos dessa doença grave e silenciosa. Embora rara, ela também ocorre no Brasil e representa uma ameaça real, especialmente quando ligada ao consumo de alimentos mal conservados ou processados de forma inadequada.

O botulismo é provocado pela toxina da bactéria Clostridium botulinum, a mesma família da responsável pelo tétano. Considerada uma das substâncias mais potentes conhecidas pela ciência, essa toxina tem efeito direto sobre o sistema nervoso, podendo levar à paralisia muscular e, nos casos mais graves, à morte por insuficiência respiratória.

No país, já foram registrados casos recentes, inclusive na Bahia, em 2023 e 2024 , reforçando que o problema está longe de ser apenas europeu.

A bactéria pode se desenvolver em ambientes com pouco oxigênio e, por isso, alguns alimentos se tornam propícios à contaminação quando não são produzidos ou armazenados corretamente. Entre os mais associados ao botulismo estão:

                        Conservas caseiras (palmito, picles, compotas).

                        Embutidos e enlatados de processamento inadequado (salsicha, presunto, patês).

                        Pescados defumados, salgados ou fermentados.

                        Queijos e pastas de queijo.

                        Mel, especialmente perigoso para crianças com menos de um ano.

O botulismo é uma doença neuroparalítica grave e rara, mas que requer ação imediata. Entre os principais sinais de alerta estão:

                        Visão dupla ou turva.

                        Dificuldade para engolir ou falar.

                        Fraqueza muscular progressiva.

                        Falta de ar.

 

Sem tratamento, a doença pode evoluir rapidamente para paralisia dos músculos respiratórios, levando à morte.

Por ser considerada uma ameaça grave, a notificação de casos é compulsória e imediata deve ser feita em até 24 horas para permitir que as autoridades sanitárias adotem medidas rápidas de prevenção e evitem novos episódios. Todas as formas de botulismo são emergências médicas. Isso significa que, ao menor sinal dos sintomas, a busca por atendimento hospitalar deve ser imediata.

Como se proteger?

                        Evite consumir conservas caseiras sem procedência.

                        Nunca consuma alimentos enlatados ou embalados com lata estufada, ferrugem ou cheiro alterado.

                        Armazene pescados e embutidos sempre em condições adequadas de refrigeração.

                        Nunca ofereça mel a bebês menores de um ano.

O alerta serve para lembrar que, apesar de raro, o botulismo é altamente letal quando não tratado a tempo. A prevenção começa na escolha e conservação correta dos alimentos  e a atenção aos sintomas pode salvar vidas.