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Representatividade

Janaína Barbosa quebra barreiras e vira símbolo de coragem nos canteiros de obras de Coxim

8 AGO 2025 • POR (Glenda Melo - Diário do Estado) • 08h50
  (Divulgação PM)

Em meio ao concreto e à poeira, Janaína Barbosa ergue muito mais do que paredes: constrói respeito, desafia o machismo e inspira uma nova geração de mulheres na construção civil. Pedreira de revestimento cerâmico e pintora, formada pelo SENAI/MT e atualmente cursando Direito na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Campus Coxim, Janaína teve uma surpresa: sua trajetória chegou até São Paulo.
Ela foi uma das 40 mulheres de Mato Grosso do Sul convidadas a conhecer a maior fábrica da América Latina, a BASF. Janaína será a primeira mulher da construção civil de Coxim a participar desse encontro, que acontecerá em São Bernardo do Campo, em São Paulo. E ela já está de malas prontas.


Janaína começa o dia cedo, com botas firmes, luvas nas mãos e o olhar confiante. Em um ambiente onde, por décadas, se repetiu que “obra não é lugar de mulher”, ela prova o contrário todos os dias.
Com determinação, técnica e zelo, vem conquistando espaço e respeito em um setor que, aos poucos, passa por transformações. Sua história representa a força de milhares de brasileiras que não se intimidam com o peso do cimento nem com o fardo do preconceito.
“Não faço feio e não fico atrás de homem nenhum. Faço com vontade, com técnica e com orgulho”. Janaína Barbosa, pedreira em Coxim


Números que constroem uma nova realidade:
• +120%: foi o crescimento da presença feminina na construção civil nas últimas duas décadas.
• 9,2% dos trabalhadores formais no setor hoje são mulheres.
• 20,2% das novas vagas em 2024 foram ocupadas por elas.
• 5,6% é a participação feminina no Centro-Oeste — acima da média nacional de 2,5%.
Além da força física, Janaína é admirada pelo capricho nos acabamentos, atenção aos detalhes e responsabilidade com a segurança. Destaca-se em funções técnicas como pedreira, azulejista e ajudante de obras.
“Cada parede que eu levanto é um tijolo de respeito que conquisto. Já me subestimaram muito. Hoje, sou eu que ensino.”
Reconhecida por colegas e engenheiros, ela simboliza uma mudança real nos canteiros de obras: mais organização, empatia e cooperação.
“Aprendi que a gente não precisa gritar para ser ouvida. Só precisa mostrar que sabe o que está fazendo.”
A presença de mulheres como Janaína na construção civil é mais do que inclusão: é progresso. Quando elas constroem, constroem melhor — com cuidado, com inteligência, com alma.
Que essa história estampe capas, manchetes e corações. E que sirva de alicerce para um Brasil mais justo, onde toda força — feminina ou não — seja respeitada e valorizada.