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Policia

Código de socorro salva mulher em situação de violência doméstica em MS

6 AGO 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h36
OIP   divulgação

Uma simples ligação pedindo por “dipirona” foi, na verdade, um grito silencioso de socorro. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, uma mulher vítima de violência doméstica encontrou uma forma desesperada e criativa de pedir ajuda sem despertar a fúria do agressor. Ela ligou para o 190 da Polícia Militar e, com voz contida, pediu um medicamento. Mas por trás do pedido, havia medo, dor e urgência. Uma ligação disfarçada, uma resposta corajosa e um resgate que pode ter salvado uma vida

O atendente, atento aos sinais, entendeu rapidamente que não se tratava de um remédio. Com sensibilidade e rapidez, passou a conduzir a conversa com códigos transformando uma ligação comum em uma linha de vida.

— “A senhora confirma aí, se for positivo a informação, a senhora fala dipirona novamente. É seu marido?”, perguntou o policial.

— “Sim, é a dipirona, sim”, respondeu ela.

— “Agora fala a intensidade da agressividade aí… 10, 20 ou 30 miligramas?”, insistiu o PM.

— “30”, respondeu, sem hesitar.

A guarnição foi imediatamente deslocada. A mulher foi resgatada em segurança, sem ferimentos graves, mas profundamente abalada. O agressor, preso em flagrante, não imaginava que sua vítima, em silêncio, estava pedindo socorro com uma coragem imensa.

Dias depois, ela voltou a ligar para o batalhão,mas desta vez, para agradecer.

Essa história não é apenas sobre violência. É sobre inteligência emocional, preparo policial e, acima de tudo, resistência. É sobre como, mesmo com medo, uma mulher encontrou uma forma de sobreviver. É sobre como uma palavra comum virou código de vida.

Casos como este expõem uma dura realidade: milhares de mulheres continuam sofrendo caladas, trancadas em casa com seus agressores, sem saber como pedir ajuda. Mas também mostram que existem saídas, redes de apoio, e que a sensibilidade dos profissionais na linha de frente pode mudar destinos.

 

Se você está em perigo, saiba: seu silêncio pode ser ouvido. E sua vida importa, ligue 180 ou 190