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Brasil Campeão: a noite em que Marta chorou, brilhou e entregou sua última Copa América

3 AGO 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 10h15
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Em final épica contra a Colômbia, Seleção Feminina conquista o nono título continental e eterniza Marta como símbolo da resistência, talento e fé de toda uma geração

Foi mais do que uma final. Foi mais do que futebol. O que aconteceu em Quito, na noite de ontem. 2 de agosto de 2025, foi um capítulo definitivo na história do esporte brasileiro e, especialmente, do futebol feminino. Em um jogo carregado de emoção, reviravoltas e superação, a Seleção Brasileira Feminina venceu a Colômbia nos pênaltis e se sagrou campeã da Copa América pela nona vez. Mas o que ficará na memória coletiva não será apenas o troféu, e sim a imagem de Marta ajoelhada no gramado, aos prantos, vivendo sua última Copa América com alma, gol e glória.

O Brasil começou atrás no placar. Viu a Colômbia abrir o marcador com Linda Caicedo e teve que buscar forças para empatar o que conseguiu com Angelina, de pênalti, ainda no primeiro tempo. Vieram mais gols, mais erros, mais reações. O segundo tempo foi um turbilhão. Amanda Gutierres artilheira da seleção no torneio marcou o segundo. Depois, a Colômbia balançou a rede de novo. O tempo corria, o título parecia escapar. Mas o que ninguém esperava era o roteiro escrito nos acréscimos. Aos 50 minutos do segundo tempo, Marta, aos 39 anos, entrou na área, dominou com a esquerda e chutou com a direita. Um gol histórico, no apagar das luzes, no estilo das lendas. Um gol que levava o jogo para a prorrogação. E ainda havia mais. Marta, de novo. Cruzamento na área, ela se antecipa, sobe e marca o quarto gol do Brasil. A Colômbia empatou outra vez, em cobrança magistral de falta. Quatro a quatro. Pênaltis.

Na disputa por pênaltis, o Brasil enfrentou seus próprios fantasmas. Marta perdeu sua cobrança. Mas a equipe não desabou. A goleira Lorena, fria como gelo, defendeu o chute decisivo da Colômbia e selou o título. O placar final: 5 a 4 para o Brasil nos pênaltis. Um grito entalado explodiu nos rostos das atletas. Elas não venceram apenas um jogo. Venceram o tempo, o preconceito, a falta de investimento, a desconfiança. Venceram como vencem todos os dias para serem vistas, respeitadas, ouvidas.

“É minha última Copa América… e Deus me permitiu viver isso. Eu falhei no pênalti, mas essas meninas me levantaram. Esse título é nosso. É do povo brasileiro.” Disse Marta aos prantos.

Com lágrimas nos olhos e a medalha no peito, ela virou monumento vivo de um time que deixou tudo em campo e que ensinou a um país que futebol de mulher não se compara. Se admira. Se respeita. Se ama.