Agosto Lilás
Agosto Lilás: o mês da cor que grita contra o silêncio da violência
3 AGO 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 10h13Agosto chega com um tom que vai muito além da estética. O lilás que tinge prédios públicos, redes sociais e camisetas neste mês não é enfeite. É símbolo de uma luta dolorosa, contínua e urgente: o combate à violência contra a mulher. No Brasil, onde uma mulher é vítima de feminicídio a cada 6 horas, a campanha Agosto Lilás não pode ser apenas lembrada precisa ser vivida, discutida e levada adiante com ações concretas. Campanha nacional reforça a urgência do enfrentamento à violência doméstica e convida toda a sociedade a sair da neutralidade
Instituída por lei federal e abraçada por estados e municípios, a campanha é dedicada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência doméstica, em todas as suas formas: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial. Ela também marca o aniversário da Lei Maria da Penha, criada em 7 de agosto de 2006, e reconhecida mundialmente como uma das legislações mais avançadas de proteção às mulheres.
A violência contra a mulher não começa no tapa. Começa no controle, na ameaça, no isolamento. Começa na palavra cortante, no celular vasculhado, no medo de se expressar. E muitas vezes, quando ela é notada pelos outros, já deixou marcas invisíveis e profundas.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 60% das mulheres que sofrem violência não denunciam, e um dos principais motivos é o medo do agressor, da polícia, da sociedade e até da própria família. Por isso, o Agosto Lilás vai além das vítimas: ele convoca vizinhos, colegas de trabalho, amigos e instituições a não se calarem diante de sinais de abuso.
Se por um lado a lei protege, por outro ela precisa ser aplicada com efetividade. Delegacias especializadas, medidas protetivas rápidas, redes de acolhimento psicológico, capacitação de profissionais e acesso à informação são ferramentas indispensáveis para garantir segurança e justiça às vítimas. Em cidades pequenas ou do interior, como é o caso de muitos municípios sul mato-grossenses, o desafio é ainda maior: o medo da exposição, a cultura machista enraizada e a ausência de serviços especializados dificultam a denúncia. Por isso, o poder público precisa assumir sua parte, com campanhas permanentes, investimento em políticas de proteção e formação cidadã desde as escolas.
Agosto Lilás não é sobre “a mulher do outro”. É sobre todas nós. É sobre você que conhece alguém em silêncio. Sobre aquele vizinho que escuta gritos mas não liga. Sobre quem compartilha frases como “em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”. Não é só um mês de cor: é um mês de escolha. Ou você se posiciona, ou compactua. Se você sofre ou conhece alguém em situação de violência, disque 180 o canal é gratuito, anônimo e funciona 24 horas por dia. A denúncia pode salvar uma vida.
