Feminicídio
61 Socos em um Elevador: A Vergonha de um País que Ainda Questiona se Foi Tentativa de Feminicídio
31 JUL 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 10h08Um homem. Uma mulher. Um elevador. E 61 socos no rosto. Essa é a imagem que o Brasil viu e que deveria deixar qualquer um em silêncio, não de indiferença, mas de vergonha, choque e revolta.
Essa semana mulher foi selvagemente espancada pelo próprio companheiro, preso em flagrante logo após o ataque. A cena, registrada por câmeras de segurança, dispensa qualquer interpretação: golpes sucessivos, violentos, impiedosos. A vítima, desfigurada e ensanguentada, não teve chance alguma de defesa, a brutalidade foi tamanha que a vítima teve ossos do rosto quebrados, o maxilar fraturado, ela fez seu depoimento por escrito aos policiais pois por conta das fraturas não podia falar, terá que passar por várias cirurgias repadoras e não houve intensão de matar?
O crime aconteceu dentro de um condomínio em Natal, Rio Grande do Norte. O agressor, um ex-atleta conhecido no meio esportivo, usou os punhos não para vencer no jogo, mas para destruir o rosto e a dignidade de uma mulher indefesa.
Apesar da brutalidade evidente, ainda se discute se o caso será tratado como tentativa de feminicídio. Como se fosse preciso mais alguma prova além das imagens. Como se o corpo ferido e o rosto em ruínas de uma mulher ainda tivessem que “provar” que houve intenção de matar.
É inaceitável. É revoltante. E é um retrato claro de como a violência contra a mulher ainda é relativizada, até mesmo diante da barbárie.
A vítima passou por cirurgia de reconstrução facial. Mas quem vai reconstruir a segurança dela? A saúde emocional? A confiança no mundo?
O agressor teve a prisão convertida em preventiva, mas nada disso muda o fato de que essa mulher sobreviveu por sorte, não por justiça. Ela podia ter morrido ali, e o Brasil acordaria com mais uma estatística enterrada e uma hashtag nas redes sociais.
Até quando os corpos femininos precisarão ser mutilados para que o sistema acredite nelas? Até quando a brutalidade dentro dos lares será tratada como “desentendimento de casal”? Quantas vezes uma mulher terá que apanhar para que alguém finalmente a escute?
O que aconteceu naquele elevador não é um caso isolado. É um grito. É um alerta. E é uma acusação a todos que ainda silenciam, relativizam ou se calam diante da violência contra a mulher. Que esse caso não seja só mais um. Que não se esqueça. Que não se perdoe. Que não se repita.
