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Policia

Coxim na Mira do Crime: Guerra entre Facções cresce na Região Norte de MS

30 JUL 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h29
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O que antes era apenas um sussurro nos bastidores da criminalidade, agora estampa o cenário de sangue e medo em Coxim e região norte de Mato Grosso do Sul. Três crimes em sete meses dois deles execuções brutais expuseram uma realidade incômoda: facções criminosas estão em guerra pelo controle territorial da região, e o mês de julho termina com mais uma execução.

A sequência de atentados, marcada por ousadia, organização e armamento pesado, escancarou uma rede articulada de violência que já vinha se desenhando desde o início do ano, e agora desafia as autoridades locais com métodos cada vez mais semelhantes aos grandes centros dominados pelo crime organizado, deixando a pacata Coxim em alerta com o crescimento dos acontecimentos.

A primeira faísca foi acesa em janeiro, quando dois homens; Edeilson Cardoso dos Santos e Maylon Vinícius Gonçalves, sobreviveram a uma tentativa de execução. Quase como um aviso. Quase como um destino marcado.

Cinco meses depois, Maylon foi assassinado dentro de casa, na frente de uma criança de apenas cinco anos. A frieza da execução, o uso de pistola 9mm e a precisão dos tiros revelavam mais que um crime passional revelavam uma ordem cumprida. Um recado enviado.

E no fim de julho, o outro nome da lista, Edeilson, foi executado no Bairro Vale do Taquari. Mesmo arma, mesmo método. Agora, o padrão estava claro. O que era hipótese virou confirmação: Coxim virou palco de disputa entre facções.

As prisões realizadas entre os dias 26 e 27 de julho revelaram uma organização com papéis definidos: o “geral”, os executores, o suporte logístico, e até o responsável por ocultar provas. Tudo orquestrado como em um tabuleiro de guerra.

Nomes como Rian, Malbec, Cigano, Coelhão, SP e Tio Crepi não são mais apenas apelidos de fichas policiais são peças-chave no mapa da criminalidade local. A facção, segundo apurado, tinha sua central de comando em Coxim e conexão direta com criminosos de Rio Verde de MT, demonstrando que a guerra ultrapassa as divisas municipais, mas não ficando só em Coxim e Rio Verde, pessoas que não querem se identificar dizem que Sonora também acende o mesmo alerta.

Mais do que execuções, o que se viu foi um teatro de guerra onde cada personagem cumpre sua missão com frieza e lealdade ao crime.

Mas Coxim não se calou. A resposta das polícias Civil, Militar e Científica foi rápida, firme e coordenada. Em menos de 48 horas, os autores dos crimes estavam atrás das grades, a cadeia de comando desmantelada, provas coletadas e novos mandados em andamento. O que poderia ser mais um crime insolúvel na estatística virou exemplo de atuação integrada e comprometida com a segurança pública. Um verdadeiro contra-ataque do Estado à ousadia do crime organizado.

As perguntas que ficam são duras, mas urgentes: quantas outras facções atuam em silêncio em nosso território? Coxim está preparada para conter o avanço dessas organizações? A região norte de MS se tornará um novo ponto de conflito no mapa do crime nacional?

O alerta está aceso. O enfrentamento precisa ser mais do que pontual precisa ser estratégico, contínuo e apoiado pela sociedade. As próximas etapas dessa guerra não podem ser travadas apenas com armas e prisões, mas com políticas públicas, educação, oportunidades e, principalmente, atenção. Porque o que está em jogo não são apenas vidas, é o futuro de uma cidade que sempre foi símbolo de paz, e que agora luta para não ser marcada pelo medo.