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Saúde

Governo lança programa que transforma dívidas de planos de saúde em atendimentos especializados

29 JUL 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h59

Uma nova estratégia do governo federal promete aliviar filas do SUS e, ao mesmo tempo, resolver parte da dívida acumulada por planos de saúde com o sistema público. A partir de agosto, operadoras de saúde suplementar poderão converter valores devidos ao SUS em atendimentos médicos especializados para pacientes da rede pública, em um modelo que une compensação financeira com ampliação do acesso à saúde. Iniciativa pretende ampliar o acesso a especialidades médicas em regiões com déficit de atendimento, usando estrutura ociosa da rede privada e promovendo integração de dados entre sistemas público e suplementar.

O programa, chamado “Agora Tem Especialistas”, permitirá que consultas, exames e cirurgias sejam realizados por instituições privadas em áreas onde o acesso a especialidades é limitado. A expectativa do Ministério da Saúde é que centenas de milhares de brasileiros, que aguardam por atendimento especializado, possam ser beneficiados com a medida.

A proposta transforma parte das dívidas das operadoras em um instrumento de apoio direto ao sistema público. Em vez de pagarem os valores integralmente em dinheiro, as empresas poderão prestar serviços de saúde aos usuários do SUS, especialmente em áreas críticas como oncologia, ortopedia, cardiologia, ginecologia, otorrinolaringologia e oftalmologia.

A escolha dessas especialidades não foi aleatória. Elas estão entre as que mais acumulam filas nas unidades públicas de saúde, com milhares de pacientes aguardando, muitas vezes por meses, um atendimento que poderia fazer diferença entre agravamento e cura.

As operadoras interessadas deverão atender critérios técnicos e participar de uma chamada pública conjunta entre o Ministério da Saúde e a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Será exigida comprovação de estrutura adequada, capacidade de atendimento e regularidade jurídica.

Empresas com grande volume de débitos poderão converter até R$ 750 milhões em atendimentos, com previsão de mais de 100 mil procedimentos mensais, dependendo do porte da operadora. Pequenas empresas terão metas proporcionais a partir de R$ 50 mil por mês em serviços prestados.

 

Além de evitar sanções e regularizar pendências fiscais, as empresas poderão utilizar estruturas que hoje estão parcialmente ociosas,hospitais, clínicas e centros de diagnóstico que operam abaixo da capacidade.

Outra grande mudança anunciada junto ao novo programa é a integração das informações médicas dos usuários da saúde pública e privada em uma base nacional unificada. A plataforma, que será operacionalizada pelo aplicativo Meu SUS Digital, permitirá que cidadãos tenham acesso ao histórico de atendimentos, resultados de exames, receitas médicas e evoluções clínicas, tudo em um só lugar.

A nova funcionalidade promete facilitar o acompanhamento contínuo dos tratamentos, especialmente para pacientes que transitam entre os dois sistemas. A migração dos dados começa já em agosto, cobrindo o período de 2020 a 2025. A partir de outubro, todas as informações passarão a ser atualizadas automaticamente.

Profissionais de saúde também terão acesso a esse banco de dados por meio de sistemas próprios do SUS, o que deve ajudar na tomada de decisões mais rápidas e precisas, além de evitar exames e prescrições duplicadas.

Com essa integração, o governo espera aumentar o número de registros clínicos disponíveis de 2,8 bilhões para mais de 5 bilhões, impulsionando o planejamento de políticas públicas baseadas em dados reais. Atualmente, mais de 80% dos estados brasileiros já utilizam a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) para decisões estratégicas. Com a adesão de mais municípios e a inclusão do setor privado, esse número deve crescer significativamente.

A iniciativa representa um movimento inovador no relacionamento entre o setor público e o privado na saúde brasileira. Ao transformar passivos financeiros em ações diretas para a população, o governo aposta na agilidade da rede suplementar como reforço ao SUS, sem abrir mão da regulação e da equidade no acesso.

Se for bem executado, o programa pode se tornar um modelo para futuras parcerias estruturadas com foco em resultados sociais, especialmente em tempos de alta demanda e recursos limitados.