Policia
Mais uma vítima do silêncio: mulher é morta a facadas pelo próprio irmão em Naviraí
27 JUL 2025 • POR Glenda Melo • 16h24Uma mulher de 35 anos foi brutalmente assassinada dentro da própria casa, com um golpe fatal no pescoço, desferido pelo irmão com quem dividia o mesmo teto e momentos antes, também a bebida. A vítima, identificada como Juliete Vieira, se tornou mais um nome na longa e dolorosa lista de mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul um estado onde os laços familiares, muitas vezes, se transformam em cenário de horror.
O crime ocorreu por volta das 22h40, da sexta-feira no imóvel onde os irmãos moravam juntos. O que começou como uma noite aparentemente comum terminou em violência. Após uma discussão e troca de agressões, o homem, de 45 anos, desferiu o golpe que tirou a vida da irmã de forma imediata. Ele foi preso ainda na frente da casa, com vestígios do crime, e não demonstrou resistência.
Às autoridades, tentou justificar o assassinato como um “acidente durante uma brincadeira”. Mas as evidências falam por si: a lâmina foi certeira, o ferimento no pescoço, letal e os indícios levantados no local desmontam qualquer versão de descuido. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio, um crime que, infelizmente, tem se tornado cada vez mais comum no estado.
Com a morte de Juliete, subiu para 19 o número de mulheres assassinadas em contexto de feminicídio em Mato Grosso do Sul apenas em 2025. A frieza dos números esconde histórias de mães, filhas, trabalhadoras, mulheres comuns que foram arrancadas da vida muitas delas por pessoas próximas, companheiros, familiares ou conhecidos.
O que choca é a reincidência dos cenários: facas, tiros, agressões dentro de casa, muitas vezes na frente dos filhos ou após anos de violência silenciada. O lar, que deveria ser refúgio, tem se tornado um dos lugares mais perigosos para milhares de mulheres sul-mato-grossenses.
Enquanto a sociedade cobra justiça, o sistema de proteção ainda se mostra frágil diante do avanço dessa violência de gênero. Políticas públicas, proteção real e acolhimento imediato continuam sendo urgências que salvam vidas. Porque para muitas, denunciar ainda é perigoso. E ficar em silêncio, mortal.
Juliete agora é estatística. Mas também é mais uma lembrança cruel de que o feminicídio tem nome, rosto, endereço e que a luta contra ele precisa ser de todos, todos os dias.
