Orgulhos Coxinenses
Wagner Rondora: o artista que transformou a cultura de Coxim em poesia cênica
18 JUL 2025 • POR Glenda Melo • 08h50Por trás de cada palco montado, de cada figurino improvisado, de cada cena que emocionou plateias, há um nome que pulsa com a força da arte e da dedicação: Wagner Rondora da Silva. Aos 52 anos, ele carrega não só o peso de uma trajetória repleta de prêmios, mas também a leveza de quem vive para encantar, ensinar e transformar através do teatro.
Morador de Coxim, Rondora começou sua jornada artística ainda nos anos 1980, quando a cidade carecia de espaços formais para a expressão cultural. Em 1987, escreveu e dirigiu a peça “O Homem que roubou um pão”, prenunciando ali a paixão pela dramaturgia com propósito social e educativo. Dois anos depois, ao fundar e coordenar o Museu Histórico e Arqueológico de Coxim, provou que seu amor pela cultura era também um ato de preservação da memória.
Professor de História e Literatura por mais de uma década na rede estadual, Wagner entrelaçou saberes em sala de aula com vivências no palco. Foi assim que escreveu, dirigiu e levou aos festivais peças como “Na Rodagem dos Tocos”, premiada por seu texto original e cenário, e a sensível “O Voo do Guerreiro Beija-Flor”, contemplada com o Fundo de Investimento Cultural do MS.
O nome de Rondora ecoa especialmente no FETRAN-MS (Festival Estudantil Temático de Trânsito), onde suas criações não apenas venceram categorias, mas formaram gerações de artistas mirins e adolescentes conscientes do papel educativo da arte. Peças como “Alice no País da Elke Maravilha”, “O Casamento da Jiripoca”, “Antes Tardis do que Nunca” e “Ponto de Partida” marcaram os palcos e a vida dos jovens envolvidos.
Mais do que criar personagens, Wagner Rondora cria pontes. Seus textos falam de trânsito, preconceito, empatia e memória. Em 2022, seu curta “Entrevista com a loira do banheiro” foi indicado a melhor roteiro em festival nacional, e seus documentários sobre artistas de Rio Verde são testemunhos vivos da arte como ferramenta de registro e resistência.
Em um tempo em que a cultura muitas vezes é relegada ao esquecimento, Wagner persiste. Estuda Pedagogia, forma talentos, grava vídeos com alunos, edita curtas de jovens cineastas e continua reinventando a arte com os pés fincados no cerrado e o coração entregue ao teatro.
Wagner Rondora é desses nomes que não cabem apenas em um currículo. É voz, é luz, é ato. É a prova viva de que a arte pulsa em Coxim e tem endereço, memória, voz e muito fôlego para continuar encantando.
No Palco da Vida/ por Glenda Melo
No coração do Pantanal, nasceu um sonhador,
Com papel e poesia, Wagner Rondora se fez autor.
Não de livros encapados, mas de histórias em movimento,
Teceu cenas com coragem, emoção e pensamento.
Lá pelos anos oitenta, o menino virou artista,
Fez da rua, sala de aula, da esperança, sua conquista.
Dirigiu “O homem que roubou um pão” com paixão e ousadia,
E ali brotou o teatro como semente que crescia.
Foi louco de cena e livre de alma,
Criou “A liberdade de um louco”, com ternura e calma.
E entre livros de história e contos de outrora,
Despertou juventudes em cada aurora.
Fez museu sem moldura, com memória viva,
Guardando a alma de Coxim em cada narrativa.
No FETRAN brilhou como mestre encantador,
Transformou trânsito em arte, em lágrimas e amor.
Cada peça um manifesto, cada palco, uma missão:
Da “Jiripoca” ao “Bico da Garça”, tudo tinha coração.
Seus personagens, seus alunos, seu povo, sua raiz,
Fizeram de Wagner um artista que o tempo não diz.
Com câmera na mão e poesia na retina,
Filmou o cotidiano como alma que ensina.
Não busca aplausos, busca sentidos,
É mestre do invisível, dos sonhos esquecidos.
Hoje, aos 52, ainda planta esperança,
Com o mesmo brilho nos olhos de criança.
Seu ofício é cultura, sua fé é o futuro,
E seu legado é arte firme, forte e puro.
Wagner Rondora, voz da cena pantaneira,
Você é ponte, raiz, estrela verdadeira.
E se a vida é um palco de enredos infinitos,
Você é o autor dos atos mais bonitos.
