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Tarifaço de Trump trava exportações e paralisa frigoríficos de MS: produção de carne bovina

15 JUL 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 09h48

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras a partir de agosto provocou uma reação imediata no setor frigorífico de Mato Grosso do Sul. As empresas exportadoras de carne bovina suspenderam as vendas ao mercado norte-americano, paralisando operações e redirecionando cargas já produzidas para outros destinos.

De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), todos os frigoríficos do estado que operam com exportação para os Estados Unidos interromperam suas atividades destinadas a esse mercado. Entre os afetados estão grandes players do setor como JBS, Minerva e Naturafrig, cujas plantas estavam ativas no fornecimento de carne bovina ao país norte-americano.

“Já de imediato suspenderam a produção. Agora vamos ter que realocar até coisa que já estava produzida. Vai ter que retrabalhar, realocar para outros mercados. Por enquanto, fica inviável trabalhar com essa tarifa”, explicou o vice-presidente do Sicadems, Alberto Sérgio Capuci.

A indústria agora busca estratégias para absorver os impactos e direcionar a produção. No caso do grupo JBS, a reconfiguração já está em curso. A empresa deve enviar cerca de 30% da produção originalmente destinada aos EUA para o Chile, e outros 30% para o Egito um mercado considerado novo. O restante será redirecionado ao consumo interno e países do Mercosul.

No entanto, o cenário é de incerteza. Segundo Capuci, a estratégia de reacomodação ainda não está completamente definida, e os prejuízos podem afetar toda a cadeia produtiva da carne. “Está tudo parado”, resumiu.

Os dados de comércio exterior mostram a dimensão da perda. Entre janeiro e junho deste ano, Mato Grosso do Sul exportou US$ 315 milhões aos EUA  crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2024. A carne bovina foi o destaque, com alta de 78% nas exportações, saltando de US$ 81,4 milhões para US$ 145,2 milhões.

O impacto logístico também preocupa. Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, a nova tarifa entra em vigor antes que novas cargas possam chegar aos EUA. “Hoje o navio já não chega mais lá até o dia 30. No curto prazo, os produtos tendem a ficar retidos no mercado interno, podendo até haver uma queda de preço”, avaliou Verruck.

Diante do impasse, o setor frigorífico de Mato Grosso do Sul enfrenta um desafio imediato: manter a operação e o emprego, enquanto busca alternativas viáveis em um mercado global cada vez mais imprevisível.