Orgulhos Coxinenses
A Voz Que Mora no Pantanal: Adão Reis e a Canção que Nunca se Cala
4 JUL 2025 • POR Glenda Melo • 09h10Mais que músico, Adão é ponte entre o ontem e o agora, entre o folclore e o sentimento vivo da gente pantaneira. Intérprete sensível, compositor generoso e amante incansável da Cultura, ele dedica a vida a traduzir o espírito de Mato Grosso do Sul em música, uma música que não apenas se escuta, mas se sente na pele, no peito e nas lembranças.
Por 30 anos, Adão foi alma viva da Confraria do Piau, no lendário Bar do Guedes, ponto de encontro de sonhos, acordes e boemia. Ali, no “Bar do saudoso José Guedes de Melo”, nasceu e resistiu um dos maiores movimentos culturais do interior sul-mato-grossense, com Adão como mestre de cerimônias e de afetos.
No palco e fora dele, ensinou, incentivou e inspirou dezenas de músicos, poetas e artistas que beberam da sua arte como quem bebe água da fonte: pura, generosa e necessária. Por tudo isso e por tanto mais recebeu com justiça o título de Cidadão Coxinense, embora a cidade já o tivesse adotado muito antes, em cada aplauso espontâneo e em cada lágrima emocionada ao fim de uma canção.
Adão Reis é desses artistas que não se encerram em um disco ou numa apresentação. Ele é território, é memória, é chão onde a cultura floresce mesmo quando tudo parece secar. Seu compromisso com o Pantanal vai além da homenagem: é devoção. E em cada acorde seu há um pouco do som dos pássaros, do silêncio das águas, do grito da alma nativa.
A história de Adão é também a história de uma gente que insiste em resistir com arte, que transforma o cotidiano em verso e que canta mesmo quando tudo parece calar.
Hoje, celebramos não apenas o músico, mas o guardião da cultura viva, o homem que fez do violão uma extensão do coração, e da canção, uma forma de existir.
Porque enquanto houver um palco, uma roda de amigos ou um fim de tarde em Coxim, a música de Adão Reis continuará sendo ouvida.
E o Pantanal e Coxim agradecidos, continuarão aplaudindo. Obrigada ADÃO REIS!
Na beira mansa do rio,
onde o céu se deita no chão,
nasceu a voz que carrega
os cantos do coração.
É Adão quem canta o tempo,
com alma de violão.
Trinta anos de estrada e sonho,
num bar que virou altar,
onde o povo vira verso
e a dor aprende a dançar.
No Bar do Guedes, a história
decidiu ali morar.
Fez da Confraria um templo,
do Piau, seu bem querer.
Onde um copo, uma viola
e um silêncio a se entender,
viravam riso e lembrança
pra quem soubesse viver.
Com o Pantanal nos olhos
e Coxim dentro do peito,
Adão canta os seus amores
com doçura e com respeito.
E a cidade, em retribuição,
o acolheu como eleito.
Não é só cantor, é ponte,
é raiz e rebentação.
Faz da cultura uma reza,
faz do palco oração.
Seu cantar tem a pureza
de quem vive em devoção.
Hoje é nome em placa e honra,
mas é mais: é direção.
Para os novos que se achegam
com viola e intenção,
Adão é trilha e farol
no caminho da canção.
E enquanto houver rio e tarde,
e amigos pra celebrar,
haverá um canto livre
pra Coxim se emocionar.
Pois Adão, feito o Pantanal,
nunca deixará de cantar.
