Venda sem controle chega ao fim: farmácias só podem vender canetas emagrecedoras com receita retida
24 JUN 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 16h01Desde ontem, segunda-feira, 23 de junho, entrou em vigor em todo o Brasil uma nova regulamentação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que endurece o controle sobre a venda das chamadas “canetas emagrecedoras”. Agora, só será possível adquirir os medicamentos com receita médica em duas vias, sendo uma delas retida pela farmácia.
A medida foi publicada em abril e teve prazo de 60 dias para adaptação. O objetivo é conter o uso indiscriminado e, muitas vezes, puramente estético dos medicamentos indicados para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade doenças crônicas que exigem acompanhamento especializado.
A nova regra exige que a prescrição contenha:
Nome completo e dados do paciente;
Nome comercial do medicamento;
Dose, concentração e fórmula;
Quantidade exata prescrita.
Além disso, a farmácia é obrigada a registrar a venda no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). O prazo de validade da receita será de 90 dias, independentemente do motivo da indicação ou do princípio ativo da medicação. A popularização das canetas, impulsionada pelas redes sociais e pela busca por emagrecimento rápido, acendeu um alerta entre especialistas. O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Dr. Neuton Dornelas, enfatiza os riscos:
“Esses medicamentos têm indicações bem específicas. O uso estético é contraindicado. O tratamento da obesidade deve começar com mudanças no estilo de vida, alimentação e prática de atividade física. Quando há necessidade de medicação, é indispensável o acompanhamento médico.”
O uso desregulado das canetas pode provocar efeitos adversos sérios, como náuseas, vômitos, desidratação, hipoglicemia e até risco de pancreatite. Além disso, o uso fora da bula e sem supervisão coloca em risco a saúde de milhares de pessoas especialmente aquelas influenciadas por promessas enganosas de resultados rápidos.
Com a nova medida, o Brasil dá um passo importante para frear a banalização do uso de medicamentos de alta potência, proteger a população e fortalecer a responsabilidade compartilhada entre médicos, pacientes, farmácias e autoridades sanitárias. A partir de agora, caneta emagrecedora só com receita. E mais que um papel, é a garantia de que a saúde não pode ser tratada como atalho.
