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Mato Grosso do Sul lança plano para fortalecer atendimento a pacientes com Doença Falciforme

Iniciativa da SES amplia diagnóstico precoce, qualifica a rede pública e reforça acompanhamento especializado.

19 JUN 2025 • POR do Idest, JWC • 14h45
  (Divulgação)

No Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado nesta quinta-feira (19), Mato Grosso do Sul avança no enfrentamento da condição com o lançamento de um plano de trabalho estruturado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). A medida busca garantir cuidado integral aos pacientes por meio de diagnóstico precoce, qualificação da rede e acompanhamento especializado.

Plano de trabalho visa cuidado integral

Com 125 casos de Doença Falciforme registrados em 2024, a SES reforça o compromisso com a assistência aos pacientes, implementando ações coordenadas e baseadas em evidências. Uma das principais iniciativas é a criação de um Grupo de Trabalho interinstitucional, coordenado pela Gerência de Equidade em Saúde.

O foco é garantir o cuidado integral, desde o Teste do Pezinho — que permite a detecção precoce nos primeiros dias de vida — até o acompanhamento contínuo em unidades especializadas, como o Hospital Regional Rosa Pedrossian, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian e o IPED/APAE (Instituto de Pesquisas, Ensino e Diagnósticos).

Exames e monitoramento especializado

Essas unidades realizam exames fundamentais para o diagnóstico e monitoramento da doença, como a eletroforese de hemoglobina, que identifica variantes como HbSS (anemia falciforme), HbSC e HbS-beta talassemia. No Hospital Regional, também está disponível o exame Doppler Transcraniano, indicado para prevenir acidentes vasculares cerebrais (AVCs) em crianças de 2 a 16 anos com a condição.

Entre janeiro e maio de 2025, o ambulatório do Hospital Regional realizou 18 atendimentos. Já no Hospital Universitário, 66 pacientes com mais de 14 anos estão em acompanhamento — sendo 40 mulheres e 26 homens. O IPED/APAE segue responsável pelos novos diagnósticos, mantendo um serviço especializado de referência.

Desafios com a falta de informação

Apesar dos avanços, a falta de informação sobre a Doença Falciforme ainda é um desafio. “Muitas pessoas desconhecem os sintomas, os riscos e até mesmo os serviços oferecidos pelo SUS. Isso contribui para diagnósticos tardios e agravamento do quadro clínico”, alerta a gerente de Equidade em Saúde da SES, Aparecida Queiroz Zacarias Silva.

Formação continuada para profissionais de saúde

Para enfrentar esse desafio, a SES, em parceria com a Escola de Saúde Pública Dr. Jorge David Nasser, lançou o curso autoinstrucional “Doença Falciforme para além do Gene – Uma abordagem biopsicossocial”. A formação tem carga horária de 40 horas e está disponível gratuitamente na plataforma https://ead.saude.ms.gov.br, sendo direcionada a profissionais de saúde do SUS.

O objetivo é ampliar o conhecimento da rede pública e fortalecer um atendimento mais humanizado e sensível às especificidades da doença, que pode causar crises de dor, infecções, AVC e outras complicações graves desde o primeiro ano de vida. De 2020 a 2023, o estado registrou 12 óbitos em decorrência da condição.

Ações de prevenção e descentralização do atendimento

Entre as medidas previstas no plano estão ações preventivas, imunização, uso profilático de penicilina e orientações às famílias para o reconhecimento de sinais de alerta. Todas as ações seguem diretrizes fundamentadas em evidências científicas e no princípio da equidade.

A concentração de casos em municípios como Três Lagoas (28), Bataguassu (18) e Inocência (9) destaca a necessidade de descentralizar os serviços e assegurar o acesso ao atendimento especializado em todas as regiões de Mato Grosso do Sul.