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Feminicídio

Nem Mais Uma: Parada Contra o Feminicídio em Coxim dá Voz à Dor Silenciada

18 JUN 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 10h54
  glenda melo

Na tarde de ontem, terça-feira, 17 de junho, a Praça João Ferreira de Albuquerque, em Coxim, deixou de ser apenas um espaço público para se tornar palco de resistência, denúncia e conscientização. A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, realizou a Parada Contra o Feminicídio, reunindo servidores de diversas áreas, representantes das universidades IFMS, UFMS e UEMS, além da população que atendeu ao chamado por justiça e mudança.

Mais do que um ato simbólico, a mobilização escancarou a urgência de um tema que ainda insiste em ser invisibilizado: o assassinato de mulheres pelo simples fato de serem mulheres.

“Não é só um evento. É um grito por todas que não puderam gritar.”  afirmou Ademir Peteca, Secretário de Assistência Social de Coxim, que destacou a necessidade de ações contínuas e articuladas no combate à violência de gênero. Para ele, é preciso ir além da comoção e investir na educação, acolhimento e denúncia, pilares essenciais na luta contra o feminicídio.

Valdenora Portugal, Coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, pontuou com firmeza que entender as diferenças entre violência doméstica e feminicídio é o primeiro passo para interromper o ciclo da violência. “É na primeira ameaça, no primeiro controle, que a sociedade precisa estar atenta. A prevenção começa na escuta e no acolhimento”, destacou.

O evento também contou com a presença da Polícia Militar, representada pelo Sargento Carlos, que reforçou os canais de denúncia como o 180 (nacional, 24h), o 190 da PM, e a Delegacia da Mulher, como ferramentas fundamentais na proteção da vítima e punição do agressor.

Mas foi a performance impactante das estudantes da UFMS, Mariana e Sarah, que calou a praça para depois despertá-la. Usando maquiagem artística, elas simularam marcas de agressão no rosto e no corpo. Em silêncio, caminharam entre os presentes carregando cartazes com frases reais de vítimas.

“O nosso projeto gosta de mostrar. Gosta de impactar. Gosta de inovar. A gente quer que as pessoas vejam o que muitas vezes é escondido dentro de casa”, disseram. A proposta provocou lágrimas, reflexões e diálogos.

A Parada Contra o Feminicídio não foi apenas uma ação social. Foi um ato de urgência. Um alerta de que nenhuma política pública é suficiente se a sociedade continuar naturalizando o machismo, o controle e a violência.

Enquanto mulheres ainda morrem em silêncio, Coxim escolheu falar alto, coletivo e sem medo.