Entrevista
"Entre Fé, Amizade e Música: O Recomeço da dupla Zé Luiz e Adriano"
13 JUN 2025 • POR (Glenda Melo - Diário do Estado) • 09h10
De lá para cá, a estrada foi longa marcada por aplausos, palcos importantes, canções que tocaram o Brasil na voz de outros artistas, mas também por perdas, promessas quebradas, instrumentos roubados e dias em que o silêncio parecia mais alto que a música. Ainda assim, a fé, a paixão pelo que fazem e o respeito mútuo sempre falaram mais alto.
Hoje, Zé Luiz e Adriano estão de volta. Não apenas aos palcos, mas ao sonho que nunca morreu. Estão mais maduros, mais fortes, com histórias reais para contar, e com a mesma essência que cativou o público desde o primeiro acorde.
Nesta entrevista exclusiva ao Diário do Estado, eles abrem o coração e compartilham tudo: do início humilde à emoção do retorno, das músicas que ganharam o país às lições que a vida ensinou.
Prepare-se para conhecer ou reencontrar uma dupla que não canta apenas com a voz, mas com a alma. Sejam bem vindos meninos.
Diário do Estado: Como Zé Luiz e Adriano se conheceram?
Adriano: Nos conhecemos em 2006, durante o tempo de quartel. Foi ali que nasceu uma amizade verdadeira e a paixão em comum pela música.
Diário do Estado: Quando decidiram formar a dupla?
Zé Luiz: Assim que deixamos o quartel, ainda em 2006. Amigos em comum falavam de mim para o Adriano e dele para mim. A conexão musical que surgiu ali se transformou em um projeto de vida. Desde então, mesmo tentando seguir caminhos diferentes, Deus sempre colocou um no caminho do outro.
Diário do Estado: Onde e quando foi o primeiro show da dupla?
Adriano: Foi na Igreja Perpétuo Socorro, em Coxim, ainda em 2006. Um momento inesquecível, cheio de emoção e sonhos. O lugar estava lotado, e saímos dali com a certeza de que era isso que queríamos fazer da vida.
Diário do Estado: Quais foram os maiores palcos que já pisaram?
Zé Luiz: Já nos apresentamos em São Paulo, Campo Grande (MS), Goiás e, claro, em Coxim. Sempre levando a essência da música sertaneja e o nome da nossa terra com muito respeito e orgulho. Nunca queremos perder nossa essência e humildade. Cada apresentação é única, com o mesmo frio na barriga de sempre.
Diário do Estado: Como foi estudar com o professor Osvaldo, referência em Coxim?
Adriano: Foi um privilégio enorme. O Conservatório com o professor Osvaldo foi onde lapidamos nosso talento com técnica e dedicação. Ele foi nosso maior incentivador — não era empresário, apenas acreditava no nosso talento. Conseguiu lugares para a gente cantar, nos apoiou e nos deu ferramentas para levar nossa música onde fosse possível.
Temos o sonho de um dia criar um conservatório de música em Coxim com o nome dele, como forma de homenagem a esse grande homem que ajudou tantos artistas da nossa terra.
Diário do Estado: Já tiveram músicas gravadas por outros artistas?
Zé Luiz: Sim, talvez muita gente não saiba, mas nossas composições já foram gravadas por artistas de renome nacional. Alguns exemplos:
• Assume – Munhoz e Mariano
• Meu Defeito – Matogrosso & Mathias
• Meu Defeito – Tradição
• Larguei da Namorada – Thiago Brava e Zé Ricardo & Thiago (DVD)
• Transa Mágica – João Lucas & Walter Filho e Henrique & Diego
Diário do Estado: Quais foram os momentos mais difíceis da carreira?
Adriano: Muitos. Já passamos por perrengues que dariam um livro. Começamos muito jovens, com 21 anos. Já ficamos sem dinheiro para consertar carro, tivemos instrumentos roubados, enfrentamos promessas vazias… Mas nunca faltou fé nem vontade de continuar. Hoje, com os pés no chão, entendemos que a música nem sempre pode ser a única fonte de renda, pois temos família e responsabilidades.
Diário do Estado: Como lidaram com as decepções no meio musical?
Zé Luiz: Aprendemos a confiar mais em nós mesmos. A dor virou inspiração, e as decepções se tornaram lições valiosas. Hoje sabemos que ingenuidade e sucesso não caminham juntos nesse meio.
Diário do Estado: O que mantém a dupla unida até hoje?
Adriano: A amizade verdadeira, o respeito mútuo e a certeza de que nascemos para isso. Nunca brigamos, sempre resolvemos tudo na conversa. Mesmo quando nos separamos, foi por motivos pessoais, nunca por desentendimento.
Diário do Estado: Qual foi o show mais emocionante até hoje?
Zé Luiz: O primeiro, sem dúvida. Pela carga emocional, pelo nervosismo, e porque no final tudo deu certo. O público cantou com a gente, e isso marcou profundamente. Mas acreditamos que o show do dia 20 de junho será ainda mais especial.
Diário do Estado: O que o público pode esperar desse show de retorno?
Adriano: Emoção do início ao fim. Vamos relembrar clássicos da dupla, cantar músicas autorais e criar momentos que vão tocar o coração de todos.
Diário do Estado: Por que decidiram voltar agora?
Zé Luiz: Porque o coração nunca deixou de cantar. Recebemos muitos pedidos dos fãs, amigos e da própria vida. A música sempre nos chamou de volta.
Diário do Estado: Esse evento do dia 20 toca em vocês de forma especial?
Adriano: Com certeza. É impossível não lembrar de tudo o que passamos. As dificuldades, os momentos em que quase desistimos… É uma volta carregada de emoção.
Diário do Estado: O que representa esse retorno para vocês?
Zé Luiz: Um recomeço com maturidade. Agora temos mais consciência, mais serenidade e ainda mais vontade de cantar. Nada do que passamos foi em vão.
Diário do Estado: Qual foi o maior aprendizado nessa caminhada?
Adriano: Que quem insiste, alcança. E que tudo tem seu tempo. O palco nunca desistiu da gente. Eu enfrentei momentos difíceis, cheguei a conhecer a depressão. Me tranquei no quarto, deixei de me alimentar. Mas Deus me levantou, e é por isso que não posso desistir.
Diário do Estado: Por que vocês acham que algumas pessoas ainda não conhecem o trabalho da dupla?
Zé Luiz: Acreditamos que seja por falta de conhecimento mesmo. Sempre estamos cantando por aí. Não é algo pessoal, é mais uma questão de divulgação.
Diário do Estado: 17. Como é voltar ao palco em Coxim, terra natal?
Adriano: É como voltar ao ventre. Aqui tudo começou. Cantar aqui é uma honra imensa.
Diário do Estado: Quando gravaram o primeiro CD e como foi?
Zé Luiz: Foi em 2009. A realização de um sonho. Todo artista sonha em gravar um CD, e ver isso acontecendo foi emocionante.
Diário do Estado: Deixem uma mensagem para os fãs que vão ao show.
Adriano: Preparem o coração! No dia 20 de junho, vamos cantar memórias, reviver histórias e viver juntos um novo começo. Esperamos todos vocês na Área de Lazer!
Diário do Estado: Ainda dá tempo de comprar ingressos?
Zé Luiz: Sim, ainda temos algumas mesas disponíveis. Quem tiver interesse pode ligar para (67) 99826-9707. A mesa com quatro lugares está sendo vendida por R$ 250,00. Teremos venda de bebidas e aperitivos. Mas é bom correr!
Diário do Estado: Considerações finais
Adriano: Glenda, agradecemos de coração ao jornal Diário do Estado pela oportunidade de contar nossa história.
Zé Luiz: Não podemos deixar de agradecer especialmente nosso amigo Dariney Nery. Ele tem sido um verdadeiro anjo nesse processo de retomada da carreira, nos ajudando de coração, sem esperar nada em troca. Que Deus o abençoe por tudo que tem feito.
Adriano: Agradecemos também aos nossos amigos e fãs, que sempre acreditaram na gente, e aos nossos apoiadores: 47° Batalhão de Infantaria; Terra Viva Produtos Agropecuários; Manoel Móveis; Condomínio Morada do Rio; Tribus Choperia; Rancho do Xuxa; Art Som e Iluminação; Audio Mix Produções; Band FM Coxim; Vale 102 FM; Pantaneira FM; os vereadores Marcinho Souza e Luiz Eduardo; Prefeitura Municipal de Coxim e FUNRONDON.
Zé Luiz: Reforçamos o convite: esperamos todos vocês nessa noite tão especial, grande abraço.
Confira a entrevista na íntegra:
