Saúde Mental
Amor em tempos de stories: por que relações duráveis parecem tão raras?
30 MAI 2025 • POR Por: Renan Maia • 09h46Psicólogo Clínico || CRP 14/07127-2 || @renanmaia.psi
A recente separação de Virginia Fonseca e Zé Felipe — dois dos nomes mais midiáticos da internet brasileira — movimentou redes sociais, noticiários e grupos de WhatsApp com a velocidade de um clique. Bastou o anúncio para que especulações dos mais variados tipos inundassem a internet — longe de compreender oque apenas o jovem casal poderia explicar — no fundo parece que o que todos tentam entender é o que está acontecendo com o nosso amor, amor no nosso tempo.
Mas a verdade é que, para além dos famosos, muitos de nós também temos sentido: manter relacionamentos — sobre tudo saudáveis — parece cada vez mais difícil.
Vivemos numa era de conexões imediatas e emoções efêmeras. A lógica dos relacionamentos vem sendo atravessada por filtros, algoritmos e uma velocidade que não combina com o tempo necessário para construir vínculos reais. O romântico vem sendo substituído pelo performático: quem responde mais rápido, quem posta mais, quem parece mais feliz. E, nesse jogo de aparências, muitos acabam se relacionando mais com a ideia de alguém do que com a pessoa em si. Comparar os bastidores da nossa vida com os palcos dos outros, é um caminho certo para a frustração.
Estabelecer um vínculo saudável exige disponibilidade emocional, construir acordos e responsabilidade afetiva — coisas que não cabem em 15 segundos de story. Não à toa, cresce o número de pessoas inseguras, traumatizadas e adoecidas pelo esgotamento emocional que relações líquidas tendem a causar.
Como nos relembram as ideias de Carl Rogers — importante autor da psicologia — em seu livro “Tornar-se pessoa” (2021): é justamente quando aceitamos quem somos, que podemos mudar. Essa máxima vale também para os encontros: quanto mais aceitamos a imperfeição do outro e a complexidade dos afetos, mais abrimos espaço para relações possíveis — e não ideais.
É preciso entender que maturidade afetiva não é nunca brigar — é saber conversar após o conflito. Não é estar sempre disponível — é saber dizer “não” com cuidado. Não é evitar frustrações — é aprender a atravessá-las juntos.
Amor verdadeiro não é o que gera mais engajamento, e sim o que suporta o cotidiano — com suas repetições, dores, alegrias e construções silenciosas.
Como cultivar relações mais saudáveis:
1. Se conheça e seja honesto consigo
Entenda suas reais intenções, limites e necessidades antes de esperar que o outro adivinhe ou supra algo que nem você compreendeu e se proporcionou.
2. Valorize a comunicação clara e empática
Evite joguinhos ou suposições. Dizer o que sente com respeito é o primeiro passo para a construção de confiança.
3. Respeite a individualidade
Relações saudáveis não anulam ninguém. Preservar seus próprios interesses, amizades e espaço é essencial.
4. Não fuja dos conflitos — aprenda com eles
O conflito faz parte. O que adoece não é a discordância, mas a forma como ela é vivida e resolvida.
5. Invista no vínculo, não na performance
Não se trata de parecer o casal perfeito, mas de ser verdadeiro, mesmo nos dias em que o amor se apresenta com menos brilho.
