Saúde Mental
Além da Fantasia: Maternidade e Paternidade Reais
23 MAI 2025 • POR Renan Maia • 09h48Psicólogo Clínico || CRP 14/07127-2 || @renanmaia.psi
Uma imagem delicada: uma mãe embala um bebê adormecido, rosto sereno, mãos firmes e amorosas. Mas o bebê, nesse caso, não respira — é um reborn, uma boneca de aparência hiper-realista, criada para representar um recém-nascido. Nas redes sociais, circulam milhares de vídeos e comentários sobre o tema. No entanto, uma pergunta insiste em ecoar: o que está por trás desse fenômeno?
Vivemos um tempo em que a ideia de ser pai ou mãe foi, em muitos aspectos, romantizada, filtrada, terceirizada... Enquanto a vida real pulsa com choro de madrugada, fraldas sujas, dúvidas, culpas e alegrias intensas. Cresce também o desejo de uma maternidade ou paternidade “controlada”, limpa, livre do caos emocional que criar um filho inevitavelmente traz. Nesse aspecto, a parentalidade reborn se torna muito sedutora: fantasias sem frustração, mas também sem realização.
Mas a verdade é que não existe atalho emocional para ser pai ou mãe. A experiência real exige preparo — não só financeiro ou estrutural, mas sobretudo psicológico. Criar um filho é ser atravessado por inseguranças, renúncias e redescobertas. É olhar para si mesmo com mais honestidade, pois os filhos, com sua presença intensa e sincera, costumam acionar nossas feridas mais profundas e nossos afetos mais verdadeiros.
A maternidade e a paternidade reais são humanas — lê-se: imperfeitas. São construídas dia após dia, entre erros, aprendizados e reconciliações. Exigem escuta, paciência, atenção e adaptação. É preciso lidar com a própria história, com os modelos que tivemos (ou que não tivemos), com o medo de repetir padrões, com a vontade de fazer diferente — “acertar” — e, por vezes, com a frustração inevitável de não conseguir.
Por outro lado, criar um filho também é ter a chance de construir vínculos profundos; guiar um outro ser humano no mundo, parecido com você — mas diferente. Além, é claro, de uma experiência de amor única, que se fortalece com o passar do tempo (e investimento) e que atua muitas vezes como um fator de proteção para a saúde mental.
Seja para quem sonha com a parentalidade ou para quem já está vivendo esse processo, é fundamental lembrar: ser pai ou mãe não exige perfeição, mas ação. Também não exige dar tudo de presente, mas presença. E presença — mais do que tempo — exige qualidade: atenção, escuta, disponibilidade e, sempre que possível, cuidado com a própria saúde mental.
Porque filhos não precisam de pais e mães ideais — precisam de pessoas reais, que saibam pedir desculpas, dar colo, impor limites e, acima de tudo, amar com verdade.
5 Dicas para uma Parentalidade
Emocionalmente Saudável
1. Cuide de si antes de cuidar do outro
Buscar terapia, refletir sobre sua própria história, reconhecer traumas e padrões passados por gerações anteriores é um gesto de amor e responsabilidade com o futuro filho.
2. Aceite que errar faz parte
Não há manual definitivo, mas não tenha medo de exercer o seu papel. A culpa atrapalha quando te paralisa. Errar, reparar e seguir é mais valioso do que tentar ser perfeito.
3. Desenvolva emoções
Entender o que a criança sente (mesmo quando ela não sabe expressar) ajuda a fortalecer o vínculo e evita reações impulsivas. Além disso, o contato dos pais nesses momentos ajudam os filhos a dar nome ao que sentem — daí a importância de entender suas próprias emoções.
4. Construa uma rede de apoio
Criar um filho não é missão solitária. Contar com família, amigos ou grupos de apoio faz toda a diferença.
5. Permita-se aprender com o processo
Ser pai ou mãe é, também, um caminho de autoconhecimento. Aprender com os filhos é tão importante quanto ensiná-los
