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Entrevista

Do Click ao Corte: A Visão Criativa de um Fotógrafo e Videomaker

23 MAI 2025 • POR (Glenda Melo - Diário do Estado) • 09h24

Logo nos primeiros dias postando fotos aéreas nas minhas redes sociais já surgiu serviço, e em um final de semana ganhei quase o equivalente ao meu mês inteiro de CLT. E como era (e ainda é) um trabalho tão gostoso que parecia um hobby, foi onde comecei a me dedicar fielmente nisso. O que me inspirou mesmo foi quando comecei a fazer trabalhos pra programas nacionais e internacionais, que me apresentaram lugares e experiências incríveis e inesquecíveis.”
— Silas Ismael

 

Nosso entrevistado da semana tem conquistado o Brasil e exterior com suas fotos e vídeos, com olhar sensível e certeiro chamou atenção de nada menos que a poderosa TV Globo e recentemente teve seu trabalho divulgado na grade da emissora.
Silas Ismael, fotógrafo e videomaker, 34 anos, nascido em Campo Grande, solteiro, formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós graduado MBA em Gestão de TI, e graduando em Cinema e Audiovisual, começou com edição de fotos em 2012, mas focado em captação de imagens desde 2015. Venha mergulhar nessa entrevista que ficou linda com esse menino muito querido.
Desde já agradecemos por ter nos concedido essa entrevista em meio seus projetos querido Silas.

Diário do Estado: O que te inspirou a se tornar fotógrafo/videomaker?
Silas:
Comecei na verdade com um drone, e como hobby visto que trabalhava numa emissora de televisão, mas no setor de tecnologia da informação, já tinha um drone de brinquedo, ia em um clube de aeromodelismo com amigos, mas em 2015 sim comprei meu primeiro drone profissional, era bem mais caro, lembro que na loja ninguém sabia fazer ele ligar e voar, então comprei na fé, levei pra casa e dale pesquisa e muito Youtube, creio que já dei mais de 30 treinamentos de pilotagem e configuração de drone, hoje não dou mais treinamento, mas sempre ajudo quem me procura.

Diário do Estado:  Qual foi a primeira foto que tirou e que te fez pensar: “é isso que eu quero fazer”?
Silas:
Por incrível que pareça, na realidade, nunca havia pensado em ser fotografo/videomaker, comecei brincando com edição de imagens lá por 2012, junto com desenvolvimentos de sites e programas, e por 2015 iniciei com imagens aéreas, mas sem pretensão nenhuma, logo nos primeiros dias postando fotos aéreas nas minhas redes sociais já surgiu serviços, para uma imobiliária e um canal rural, e em um final de semana ganhei quase o equivalente ao meu mês inteiro de CLT sendo pós graduado. E como era (e ainda é) um “trabalho” tão gostoso que parecia um hobby, foi onde comecei a me dedicar fielmente nisso, mas o que me inspirou mesmo foi quando comecei a fazer trabalhos pra programas nacionais e internacionais, como Word Animal Protection, WWF, Globo Repórter, Globo Rural, Jornal Nacional, e vários outros que me apresentaram lugares e experiências incríveis e inesquecíveis. 
Esse ano mesmo gravei com o Profissão Repórter vivendo a realidade de uma travessia de comitiva no Pantanal por 10 dias, tomando água e banho de corixo, dormindo em rede, com direito a banho de chuva de madrugada.

Diário do Estado: Como você descreveria o seu estilo fotográfico em poucas palavras?
Silas:
Hoje descrevo meu “estilo livre”, gosto da liberdade de atender vários nichos e em lugares diferentes, mas o que mais me identifico e amo, é relacionado a natureza e contar histórias.

Diário do Estado: Que fotógrafos ou artistas visuais te influenciam até hoje?
Silas:
Tive ótimos profissionais e professores, que me inspiraram e me ajudaram a chegar onde estou, Marcos Vollkopf e equipe, Beto Nascimento, Messias Ferreira, Claudia Gaigher… E também algumas produtoras de fora do MS que me inseriram no nicho de documentários e filmes.

Diário do Estado: Existe alguma história por trás da sua foto favorita?
Silas:
Acho que não tenho “A” foto favorita, cada uma tem sua particularidade e sua lembrança, mas as melhores fotos creio que nunca tirei, só apreciei o momento e guardei pra mim, acredito que ninguém nunca vai poder ver e nem sentir a sensação dessas que guardo só pra mim nas lembranças.

Diário do Estado: Você prefere fotografar com luz natural ou artificial? Por quê?
Silas:
Com certeza luz natural, claro que tem muitos trabalhos que dependo da luz artificial pra complementar ou preencher, mas o natural deixa mais à vontade meu espirito criativo. 

Diário do Estado: Qual é o equipamento que você mais gosta de usar e por quê?
Silas:
O que mais amo são os drones, creio que pela liberdade de voar, de ver ângulos que no dia a dia a gente talvez não repare, acabo ganhando outra dimensão de espaço. Mas na câmera em solo também gosto muito, astrofotografia vendo em tempo real a imensidão da via láctea e seres de luz, coisa que aos olhos a maioria não repara e está lá toda noite, registro de animais, paisagens, natureza e pôr do sol.

Diário do Estado: Como você escolhe o enquadramento ideal para cada foto?
Silas:
As vezes eu nem sei como, até porque a maioria das captações é algo “novo”, então simplesmente surge, a cada lugar, a cada pessoa, paisagem e foto, tudo tem sua particularidade, dependendo da hora e posição da luz a mesma foto fica melhor em ângulos diferentes.

Diário do Estado: O que é mais importante para você: a técnica perfeita ou a emoção capturada?
Silas:
Com certeza a emoção, até porque ao contrário do que a maioria pensa, eu nunca paguei ou fiz um “curso de fotografia” pra ter a tal da técnica, sou um mero curioso que observa muito e ama o que faz, e procuro todo dia ser melhor que ontem, isso é eu comigo mesmo, a minha técnica eu que desenvolvi fuçando e me identificando no que eu acho que fica legal.

Diário do Estado: Como você lida com imprevistos durante uma sessão de fotos?
Silas:
Hoje trato imprevisto com mais normalidade, já trago comigo um “faz parte, acontece” e sempre dá certo no final. Se você tem um problema, e esse problema tem solução, então não é mais um problema.

Diário do Estado: Qual foi o lugar mais incrível em que já fotografou?
Silas:
Acho que no Chile, Cordilheira dos Andes pra um documentário, e claro no nosso Pantanal, que é sempre uma emoção e gratidão, como na Serra do Amolar, cada vez que volto é uma sensação única.

Diário do Estado: Você já passou por alguma situação inusitada ou desafiadora durante um trabalho?
Silas:
Várias, uma das mais marcante foi no começo da minha jornada em 2015, na Floresta Amazônica gravando um programa que iria pro Jornal Nacional, era pra ser 14 dias, e no meu segundo dia com a equipe, numa área remota de barco que nem o produtor pode ir, somente eu, o cinegrafista, o cacique e o piloteiro que era o tradutor dele, e simplesmente o drone caiu no meio de um rio com aproximadamente de 30 segundos de voo. Por sorte o cinegrafista estava filmando o drone, e eu tinha o vídeo em cache e log de voo, (funciona tipo como uma caixa preta de um avião, um arquivo de texto que guarda tudo, coordenadas, altura e comandos) mas naquele momento longe de casa e sem minha única ferramenta de trabalho que estava apostando, eu travei, só tinha um drone e um sonho, passou muita coisa na minha cabeça, mas quando me acalmei e vi que não foi um problema meu, e que a garantia cobriu e me deu outro drone, parti pro próximo passo, um drone reserva, hoje parando pra refletir de como comecei e onde estou, creio que até que estou bem equipado, tenho 5 drones de modelos diferentes e operando, e vários equipamentos de solo, câmeras, lentes, tripés profissional, gimbal entre outros, e o que mais amo, uma quase unidade móvel.

Diário do Estado: Tem algum tipo de fotografia que você ainda não fez, mas gostaria de experimentar?
Silas:
Sim, uma delas é fotografar uma Aurora Boreal, deve ser incrível!
 
Diário do Estado: Existe algum projeto pessoal que marcou sua trajetória?
Silas:
Acho que poder atuar diretamente na direção de documentários, no começo sempre fazia imagens para produtoras que já tinha roteiros, direção e produção, foi super necessário pra entender como funciona a hierarquia, funções e logística. Mas quanto maior o “cargo” maiores as responsabilidades. Cada experiência é única e sempre um aprendizado, uma emoção e realização diferente.

Diário do Estado: Como você lida com críticas ao seu trabalho?
Silas:
Críticas pra mim sempre foram muito bem vindas, não aquelas construtivas de quem nunca construiu nada, mas apesar de muito poucas eu sempre paro pra refletir e analisar com carinho.

Diário do Estado: Como você vê a fotografia no mundo atual, com tantas imagens sendo produzidas o tempo todo?
Silas:
Nunca vai acabar, mesmo com a IA, todos os nichos precisam de imagens, sejam fotos ou vídeos, o que não é visto não é lembrado.

Diário do Estado: O que você diria para alguém que está começando agora na fotografia?
Silas:
Tem que gostar e dedicar no que faz, não ter medo dos imprevistos e focar, não digo nem só pra fotos e vídeos, mas a constância e dedicação te faz aperfeiçoar em tudo que quiser, o principal é entender os nichos que se identifica, porque são vários, tem profissionais que é só de natureza, outros só de casamentos, outros só de eventos coorporativos, você identificando as áreas que gosta, pode escolher tranquilo.

Diário do Estado: A inteligência artificial e os aplicativos de edição ameaçam ou fortalecem o trabalho do fotógrafo?
Silas:
Não vejo como uma ameaça, e sim uma bela ferramenta, as vezes muito perigosa, porque tudo pode ser usado pra coisas muito boas e muito ruins, mas se tratando da parte de criação, é uma ferramenta que traz uma liberdade incrível de criar e construir algo único.
 
Diário do Estado: Como você mantém sua criatividade viva depois de tantos cliques?
Silas:
Pessoalmente é não forçar a criatividade, e sim deixar fluir, principalmente no novo, acaba sendo natural e obrigatório dirigir onde vai ficar melhor a cena, o cenário e a composição. 

Diário do Estado: Qual é o seu maior sonho como fotógrafo?
Silas:
Tenho vários, a maioria deles não gosto muito de falar até concretizar, mas ainda quero viajar e conhecer vários países e culturas trabalhando e vivendo, sem esperar o próximo feriado, a próxima sexta-feira, ou o que é muito raro pra gente, a próxima folga.

Diário do Estado: Suas considerações finais para o jornal Diário do Estado
Silas:
Quero agradecer ao Diário do Estado por abrir esse espaço para contar um pouco da minha história, que ainda está em construção. Cada clique, cada voo, cada nova experiência me ensina algo, e poder compartilhar isso é também uma forma de inspirar quem está começando ou pensando em seguir esse caminho. A fotografia, pra mim, vai além da imagem: é memória, é emoção, é conexão. E poder viver disso, com todas as aventuras e desafios, já é por si só uma grande realização.
 

 

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