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Nome sujo avança em Mato Grosso do Sul: 350 pessoas por dia entram na lista de inadimplentes

21 MAI 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 11h24
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Mato Grosso do Sul vive uma escalada preocupante na inadimplência. Apenas nos três primeiros meses de 2025, mais de 31,5 mil moradores do Estado ingressaram na lista de negativados, o que representa, em média, 350 novos devedores por dia. Os dados são do Serasa.

Segundo o levantamento, em dezembro do ano passado, o número de inadimplentes no Estado era de 1,129 milhão. Já em março deste ano, o total subiu para 1,161 milhão,   aumento de 2,8% no período. O volume representa mais da metade da população economicamente ativa de Mato Grosso do Sul, estimada em 2,147 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O perfil do endividamento também chama atenção: cada consumidor negativado possuía, em média, quatro dívidas registradas em seu CPF. O valor médio das pendências foi de R$ 6,3 mil, acumulando uma dívida total superior a R$ 7,42 bilhões em todo o Estado.

As principais fontes do endividamento seguem o padrão nacional, com o cartão de crédito e instituições bancárias no topo da lista, respondendo por 29,92% das dívidas. Em seguida aparecem as financeiras (17,60%) e as empresas prestadoras de serviços (15,05%). Já as chamadas “utilities” contas de água, energia e gás representam 14,72% das pendências. O varejo (11,28%), cooperativas (3,55%), empresas de telecomunicação (3,33%) e securitizadoras (1,56%) completam o cenário.

Especialistas alertam que o avanço da inadimplência é reflexo de um cenário de persistente aperto financeiro das famílias, agravado por juros altos, inflação resistente e renda comprometida.

O cenário sugere que, sem intervenções estruturais, Mato Grosso do Sul pode continuar vendo sua população mergulhada em dívidas e com o nome negativado um fardo que compromete não só o consumo imediato, mas também a capacidade de recuperação econômica do Estado no longo prazo.

Estar com o nome negativado gera uma série de dificuldades que afetam diretamente a vida financeira, profissional e emocional da pessoa. A restrição no CPF funciona como um bloqueio no acesso ao crédito, o que impede a obtenção de financiamentos, parcelamentos, cartões de crédito e até mesmo a contratação de serviços essenciais, como aluguel, internet ou assinatura de celular.

Um dos impactos mais imediatos é a dificuldade para realizar compras a prazo. Mesmo com renda, o consumidor inadimplente costuma enfrentar exigências mais rigorosas ou até a recusa total de crédito por parte de lojistas e instituições financeiras. A consequência é a necessidade de viver no pagamento à vista, o que pressiona ainda mais o orçamento doméstico.

Além disso, o nome sujo pode ser um obstáculo na vida profissional. Em algumas áreas especialmente no setor financeiro ou cargos de confiança a análise do histórico de crédito faz parte do processo seletivo, e a negativação pode ser vista como um fator de risco.

Outro problema frequente é o acúmulo de juros e multas sobre as dívidas existentes. Muitas vezes, o valor devido cresce de forma descontrolada, tornando a quitação ainda mais difícil e alimentando um ciclo de inadimplência.

No aspecto emocional, a situação de inadimplência causa estresse, ansiedade e, em casos mais graves, até depressão. A pressão de cobranças constantes e o sentimento de impotência diante das finanças desorganizadas afetam o bem-estar e a autoestima.

Por tudo isso, recuperar o crédito não é apenas uma questão financeira é um passo fundamental para retomar o controle da vida. Negociar dívidas, buscar programas de renegociação e investir em educação financeira são caminhos para sair do vermelho e reconstruir a estabilidade.