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Policia

Fezes da onça que atacou caseiro no Pantanal revelam presença de ossos e cabelos humanos

6 MAI 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 11h35
  (Fotos: Saul Schramm)

A investigação do ataque brutal de uma onça-pintada que matou o caseiro Jorge dos Santos, de 60 anos, no coração do Pantanal Sul-Mato-Grossense, ganhou um novo e chocante capítulo. Análises preliminares indicam que pedaços de ossos e cabelos humanos foram encontrados nas fezes do animal, reforçando os indícios da autoria do ataque que comoveu o estado de Mato Grosso do Sul.

O caso, que ocorreu há poucos dias em uma fazenda da região pantaneira, ganhou repercussão nacional pela violência do ataque e pela comoção que causou entre moradores locais e ambientalistas. Jorge, conhecido como Jorginho, trabalhava há décadas como caseiro na propriedade e foi surpreendido pela onça nas primeiras horas da manhã, em uma área próxima ao curral da fazenda.

Segundo o delegado responsável pela investigação, Luís Fernando Mesquita, o material coletado próximo ao local do ataque passou por uma triagem e, posteriormente, as amostras de fezes com possíveis fragmentos biológicos foram enviadas para análise forense especializada. “A descoberta de fragmentos de ossos e cabelos nas fezes fortalece a linha de investigação de que essa onça foi, de fato, responsável pelo ataque ao senhor Jorge. No momento, aguardamos o laudo técnico para confirmar a origem humana do material”, explicou Mesquita.

Peritos criminais e biólogos que acompanham o caso destacam que a análise genética do material pode determinar com precisão se os fragmentos pertencem à vítima. Caso a confirmação ocorra, será uma das primeiras vezes em que provas desse tipo são utilizadas em uma investigação envolvendo ataques de grandes felinos no estado.

O animal foi localizado e capturado por equipes ambientais após o ataque, e permanece sob monitoramento. Ainda não há uma definição oficial sobre o destino da onça, mas autoridades ambientais avaliam, junto à Justiça, as possibilidades de realocação ou de permanência em cativeiro.

O crime reacendeu o debate sobre os riscos da convivência entre humanos e grandes predadores no bioma pantaneiro, especialmente em áreas onde as fronteiras entre habitat natural e atividade humana se tornam cada vez mais tênues, e também a questão sobre as cevas, se devem ou não serem feitas

“É um caso trágico e complexo. Estamos tratando de uma perda irreparável para a família e de um desafio delicado para a preservação ambiental. O mais importante neste momento é garantir que a investigação seja conduzida com rigor técnico e respeito às vidas envolvidas”, concluiu o delegado.