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Coxim é a cidade com mais casos de estupro da região norte de MS

4 ABR 2025 • POR (Glenda melo - Diário do Estado) • 09h07
  policiacivil.se.gov.br

Essa semana uma pesquisa divulgada chamou a atenção e assustou a população de Coxim, principalmente as mulheres da cidade. Dados atualizados do Sistema Integrado de Gestão Operacional, vinculado à Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (SEJUSP-MS), os números são estarrecedores e mostram o quanto as mulheres estão vulneráveis.
Os números são de 2024 e esse levantamento não mostra só os números de coxim e sim de demais cidades vizinhas também.
• Coxim: 47 casos
• São Gabriel do Oeste: 23 casos
• Camapuã :14 casos
• Rio Verde de MT:18 casos
• Rio Negro:8 casos
• Pedro Gomes: 4 casos
• Sonora:2 casos
E os números de 2025 já começam a assustar, nos primeiros meses de 2025 já são 7 casos de estupro em Coxim de acordo com a delegada titular da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) na cidade, Andressa Vieira.
A Violência Que Deixa Marcas Para Sempre
O estupro não é apenas um crime. É uma brutalidade que destrói corpos, silencia vozes e impõe um fardo psicológico que muitas vítimas carregam por toda a vida. Para muitas mulheres, o abuso sexual não termina quando a violência física acaba. Ele se estende nas noites sem sono, nos flashbacks que invadem a mente, no medo de andar na rua, na vergonha que a sociedade insiste em impor.
O trauma do estupro vai muito além do corpo. Ele se infiltra na mente, causando depressão, ansiedade, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Muitas vítimas desenvolvem um profundo sentimento de culpa, como se fossem responsáveis pela violência que sofreram. O peso da cultura do estupro que questiona roupas, horários e atitudes da vítima só agrava esse sofrimento.
O medo de não serem acreditadas ou de serem julgadas faz com que muitas mulheres permaneçam em silêncio. O estupro rouba delas não apenas a paz, mas a própria identidade. Ele transforma a maneira como enxergam a si mesmas e ao mundo ao redor.
As consequências físicas podem incluir doenças sexualmente transmissíveis, traumas ginecológicos e até gestações indesejadas. Mas há também a consequência invisível: o afastamento da sociedade. Muitas vítimas se isolam, perdem empregos, abandonam estudos, sofrem com relacionamentos deteriorados. O estupro não apenas fere uma mulher ele fere sua vida inteira.
Em um mundo onde muitos estupradores nunca são punidos, o estupro não é apenas um crime individual, mas uma falha coletiva da sociedade. Quando a vítima denuncia, enfrenta um novo tipo de violência: a violência institucional. O questionamento incessante sobre sua credibilidade, a demora nos processos, a impunidade do agressor. Cada caso arquivado é um lembrete cruel de que a justiça raramente é feita.
O estupro não é um problema individual. Ele é uma epidemia social. Enquanto continuarmos a silenciar vítimas e justificar agressores, esse crime persistirá. Precisamos ouvir, acolher e lutar para que nenhuma mulher tenha sua vida destruída pela violência sexual.
Se você foi vítima ou conhece alguém que passou por isso, saiba que você não está sozinha. Denuncie. Busque apoio. O silêncio nunca deve ser a única opção.
Denuncie pelos telefones: Delegacia de Atendimento à Mulher de Coxim: (67) 3291-1338 / WhatsApp: (67) 99987-9355
Polícia Militar: 190
Disque: 100
Precisamos falar sobre isso e precisamos denunciar, continua sendo muito difícil ser mulher todos os dias em um país que continua tratando a vítima como a causadora do crime. (Glenda melo - Diário do Estado)