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Inovação

Fim do constrangimento para as mulheres: Papanicolau será substituído no SUS pelo teste de DNA-HPV

2 ABR 2025 • POR Glenda Melo/ Diário do Estado • 09h02
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O exame de Papanicolau é um teste ginecológico realizado para detectar alterações nas células do colo do útero, ajudando na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer cervical. Ele consiste na coleta de células do colo do útero, que são analisadas em laboratório para identificar possíveis infecções, inflamações e lesões pré-cancerígenas. Esse exame é fundamental para a saúde feminina e faz parte dos programas de rastreamento do câncer de colo do útero em diversos países, incluindo o Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

O nome “Papanicolau” é uma homenagem ao médico grego Georgios Papanicolaou (1883-1962), que desenvolveu a técnica de citologia esfoliativa para o diagnóstico do câncer cervical. Nos anos 1920, ele descobriu que era possível identificar células cancerígenas no colo do útero a partir de amostras retiradas da região. Seu trabalho revolucionou a detecção precoce do câncer cervical, reduzindo significativamente a mortalidade da doença.

O exame de Papanicolau, apesar de ser um procedimento essencial para a saúde feminina, pode ser considerado constrangedor para muitas mulheres. O desconforto geralmente está relacionado à exposição íntima, ao uso do espéculo vaginal e à sensação de vulnerabilidade durante o procedimento. Além disso, fatores como o ambiente clínico, a presença de um profissional de saúde e, em alguns casos, a falta de informações sobre o exame podem aumentar o desconforto emocional.

Para algumas mulheres, traumas anteriores, tabus culturais e até mesmo experiências negativas com atendimentos médicos podem intensificar esse constrangimento. O medo da dor, da vergonha ou de julgamentos pode fazer com que muitas adiem ou evitem o exame, o que pode comprometer a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de colo do útero.

Por isso, é fundamental que os profissionais de saúde adotem uma abordagem empática, explicando cada etapa do procedimento, garantindo um ambiente acolhedor e respeitando o tempo e os limites de cada paciente. Além disso, alternativas menos invasivas, como o teste de DNA-HPV, que pode ser feito a partir da autocoleta, representam avanços que podem tornar o rastreamento mais confortável e acessível para todas as mulheres.

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciará, ainda este ano, a substituição gradual do exame de Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV para o rastreamento do câncer de colo do útero. Essa mudança tem como objetivo a detecção precoce da doença, além de ser bem menos constrangedor para as mulheres, pois o novo exame possui maior sensibilidade na identificação do papilomavírus humano (HPV), principal causador desse tipo de câncer.

O teste de DNA-HPV detecta a presença do vírus antes mesmo do desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas, permitindo intervenções mais precoces e eficazes. Estudos indicam que esse exame pode antecipar a detecção do risco de câncer em até dez anos em comparação ao Papanicolau. Que essa nova ferramenta venha para ajudar e prevenir a saúde das mulheres, que a medicina aliada a ciência continue sendo a ponte para cura de doenças e tratamentos eficazes.