Logo Diário do Estado

Entrevista

"Precisamos agir agora": Joelson Mariano alerta sobre possível epidemia de Chikungunya em Coxim

28 MAR 2025 • POR (Glenda Melo - Diário do Estado) • 08h00
  Cedida

Nosso entrevistado da semana é Joelson Mariano da Cruz 46 anos, casado, funcionário público concursado há 16 anos sendo que há 10 anos é supervisor e há 4 anos é o Coordenador da Coordenadoria de Controle de Vetores em Coxim, em uma conversa esclarecedora e preocupante Joelson alerta a população sobre a situação real de Coxim diante dos números alarmantes da Chinkungunya que dispararam na cidade e em todo estado.

Diário do Estado: Joelson, primeiro precisamos entender o que é a Chikungunya, você pode nos explicar por favor?
Joelson:
A chikungunya é uma doença viral transmitida principalmente pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, os mesmos que transmitem a dengue e o zika vírus. O vírus Chikungunya (CHIKV) causa febre alta, dores intensas nas articulações e músculos, além de fadiga e erupções na pele.
Os Principais Sintomas são:
• Febre alta (acima de 38,5°C)
• Dor intensa nas articulações (pode durar meses ou até anos)
• Inchaço e vermelhidão na pele
• Dor muscular e fadiga
• Dor de cabeça
Os casos confirmados em Coxim os relatos de pessoas que foram infectadas. são de dores extremas principalmente nas articulações.

Diário do Estado: Como acontece a transmissão?
Joelson:
A doença se espalha pela picada dos mosquitos infectados. Não há transmissão direta entre pessoas.

Diário do Estado: Qual a maneira mais eficaz de prevenir a doença?
Joelson:
Evitar água parada (locais ideais para o mosquito se reproduzir)
• Usar repelente regularmente
• Instalar telas em janelas e portas
• Usar roupas que cubram braços e pernas
Mas Glenda, os cuidados em casa, não deixar água parada é a principal maneira de evitar a doença, infelizmente falta muita conscientização por parte da população em Coxim, a falta de cuidados é o maior inimigo, e estamos pagando pelo erro de alguns.

Diário do Estado: Qual o tratamento para a Chikungunya Joelson?
Joelson:
Não há um medicamento específico para a chikungunya. O tratamento é feito com analgésicos e anti-inflamatórios para aliviar os sintomas. Em casos graves, pode ser necessária internação. A chikungunya pode ter complicações sérias, especialmente em idosos e pessoas com doenças pré-existentes. Por isso, é essencial prevenir a proliferação do mosquito e buscar atendimento médico ao perceber os sintomas, para a dengue hoje existe a vacina, para a Chikungunya não, e as pessoas precisam se atentar pelo fato da forma mais grave da Chikungunya também matar.

Diário do Estado: Por que as autoridades de saúde de Coxim estão tão preocupadas especialmente com a Chikungunya Joelson?
Joelson:
Essa é a primeira vez que essa doença chega em Coxim, não existem registros anteriores de nenhum caso, e por não sabermos os efeitos dessa doença, por ainda ser desconhecida para nós de Coxim, assim que cidades vizinhas começaram a confirmar os casos já entramos em alerta.

Diário do Estado: Hoje em Coxim são quantos casos confirmados?
Joelson:
14, só hoje enquanto eu vinha para nossa entrevista foram confirmados mais 3 casos em Coxim, quero dizer para população de Coxim que de janeiro de 2025 até início de março não havia sido registrado nenhum caso, ou seja, esses 17 casos confirmados foram somente no mês de março, entendeu nossa preocupação Glenda? Praticamente esses casos explodiram somente este mês, os números mudam à medida que exames são feitos, os exames coletados seguem para Campo Grande, quando chegam praticamente mais que dobram.

Diário do Estado: Há quanto tempo Coxim está monitorando essa situação?
Joelson:
Assim que a secretária municipal de Coxim tomou conhecimento dos casos das cidades vizinhas a mesma já convocou uma reunião com todos os representantes de saúde de Coxim, juntamente com o prefeito Edilson Magro e o vice-prefeito Flávio Dias para que fosse traçada uma estratégia para monitorar 24 horas as situações de suspeitas de Chikungunya que chegasse nos hospitais da cidade e nas unidades de saúde, que houvesse um cruzamento efetivo de informações entre hospitais, unidades de saúde, e nós no sentido de estarmos alinhados no controle de suspeitas e casos confirmados.

Diário do Estado: Sonora está em uma situação bastante séria, esses números podem também ser uma realidade em Coxim?
Joelson:
Nosso alerta começou pelos números de Rondonópolis, estado vizinho MT, mas que não fica tão distante e muitas pessoas de Coxim vão para lá, para trabalho ou passeio, em seguida Sonora explode em números de caso, daí em diante começamos a tomar medidas para minimizar ao máximo que os casos acontecessem em Coxim, mas infelizmente a Chikungunya está em Coxim pelo descaso de alguns moradores nos cuidados com seus quintais.

Diário do Estado: Quantos casos em Sonora Hoje?
Joelson:
Hoje, dia da nossa entrevista 27/03 passa de 110 casos confirmados em Sonora, amanhã esse número já muda.

Diário do Estado: Mas por que você acha que Coxim pode ter o mesmo destino de Sonora?
Joelson:
Por que os números mudam muito rápido Glenda, hoje em Coxim as pessoas que estão buscando ajuda médica nos postos e hospitais, fazem seus exames, os resultados chegam em 5 até 7 dias, enquanto isso mais pessoas procuram esses lugares com sintomas e também fazem exames que também irão para capital, imagine isso todo dia? Os números mudam rápido demais, janeiro e fevereiro não tivemos nenhum caso confirmado, só nas duas últimas semanas de março 17 casos confirmados em Coxim, estamos caminhando para os mesmos números de Sonora, infelizmente por irresponsabilidade de alguns moradores de Coxim.

Diário do Estado: Quando foi de fato o primeiro caso de Chikungunya em Coxim e em qual bairro? E existe um bairro com maior incidência?
Joelson:
Primeiro caso confirmado em Coxim no dia 24/03 no bairro Jardim das Estrelas, todos os bairros de Coxim estão com possíveis casos aguardando resultado de exames para confirmação, mas não podemos falar esse bairro ou esse, está espalhado por toda cidade.

Diário do Estado: Quais ações estão sendo tomadas?
Joelson:
Ontem (26) novamente a secretária de saúde Fernanda Berigo convocou uma nova reunião de urgência para tratarmos dessas ações que serão tomadas, entre elas estão a visita em todas as escolas de Coxim , municipais, estaduais, da zona rural informando as crianças e jovens dos cuidados a serem tomados para evitar a doença, começamos também o trabalho nas ruas de Coxim com o carro de fumacê, também estamos fazendo os bloqueios químicos  nos bairros que são notificados casos suspeitos, esse bloqueio químico é feito pelos nossos funcionários usando a bomba costal com inseticida.

Diário do Estado: Quais os horários o carro fumacê está passando nos bairros de Coxim e quais suas orientações para a população?
Joelson:
Glenda, a primeira orientação é que quando o carro estiver passando nas ruas os motoristas e pedestres não atrapalhem bloqueando a passagem do carro fumacê e dê passagem ao carro pois o inseticida é lançado rapidamente, também pedimos para que os moradores abram as portas e janelas de sua casa e não fechem para que o inseticida se espalhe pelos cômodos para matar os mosquitos. Os horários são os seguintes: O primeiro horário das 16:00 às 21:00 e de 04:00 da manhã as 7:00 da manhã, de segunda a sábado, estamos todos os dias nas ruas e vamos percorrer todos os bairros de Coxim.

Diário do Estado: O problema é exclusivamente a falta de consciência por parte da população?
Joelson:
SIM, infelizmente sim Glenda, se cada morador cuidasse do seu quintal, não deixasse acumular água, se os donos de terrenos e casas vazias mandassem limpar, nós não estaríamos nessa situação de alerta, o mal de algumas pessoas é achar que não vai acontecer com a gente, só com cidade vizinha, só com o nosso vizinho, isso é uma cultura que precisa acabar, pode e vai acontecer com a gente e com pessoas que amamos se não cuidarmos, e essa doença mata tanto quanto a dengue.

Diário do Estado: E a Dengue Joelson, como está aqui em Coxim? Também preocupa?
Joelson:
A dengue sempre será uma preocupação, a dengue hoje possui vacina, fazemos um trabalho pesado durante todo ano com toda comunidade. Mas não conhecemos a Chikungunya, em Coxim temos apenas 1 óbito confirmado por dengue hemorrágica, neste momento nossa preocupação maior não é a dengue.

Diário do Estado: Joelson agradeço pelo seu esclarecimento diante dessa situação preocupante que estamos vivendo em Coxim e gostaria que você deixasse suas considerações finais por favor
Joelson:
Glenda, eu que agradeço pela oportunidade e em nome da Secretaria de Saúde de Coxim e sua Secretária Fernanda Berigo e do Prefeito Edilson Magro que estão bastante preocupados com a situação de Coxim eu gostaria de fazer um apelo para população de Coxim: A chikungunya é uma ameaça real e pode se tornar um problema grave para nossa cidade. O mosquito Aedes aegypti se prolifera rapidamente, e a única forma de evitar um surto é com a prevenção. Precisamos que cada morador faça sua parte: eliminando focos de água parada, mantendo quintais limpos e usando repelente. Estamos com as ações de combate ao vetor, qualquer pessoa que apresente sintomas procure atendimento médico imediatamente. Não podemos subestimar a chikungunya. Quanto antes identificarmos os casos, melhor poderemos controlá-los e evitar uma crise maior em Coxim. A luta contra o mosquito é uma responsabilidade de todos. Com união e prevenção, podemos evitar uma epidemia e proteger nossa cidade.