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Entrevista

Da paixão ao negócio: Como Geissy Cristina criou uma marca de sucesso em Coxim

21 MAR 2025 • POR (Glenda Melo - Diário do Estado) • 09h06
  Glenda Melo

Nossa entrevistada da semana é uma mulher que ousou empreender em uma área que tinha paixão, mas não tinha experiência, e essa tentativa deu tão certo que ela se tornou uma referência para outras mulheres, e no mês dedicado as mulheres trazemos sua história como inspiração para muitas outras mulheres.
 
Geissy Cristina dos Santos Gomes Silva, 30 anos, casada há 3 anos com Everson Silva, juntos são pais de 3 filhos, formada em Química pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul em 2020, proprietária da Confeitaria Doces Sensações, com seu negócio colocou o nome de Coxim no rol de um dos empreendimentos mais bem sucedidos da região norte do estado, vamos conhecer um pouco da sua história de mulher empreendedora.

Diário do Estado: Geissy, quando as pessoas olham para seus doces fica uma clara impressão que você fez isso a vida toda, quando começou sua paixão pela confeitaria?
Geissy:
Glenda, tudo começou quando eu tinha 8 anos na cozinha da minha avó, minha avó sempre foi a minha maior inspiração na cozinha, minha referência em fazer com amor e fazer bem feito, dela puxei a parte de ser perfeccionista com meus produtos, entregar o melhor para as pessoas, assim como eu também quero consumir bons produtos quero oferecer produtos de qualidade para os meus clientes 

Diário do Estado: Sua avó também era confeiteira?
Geissy:
Não, minha vó era uma grande cozinheira sempre teve restaurante em Coxim na área de peixes, aproveitando a fartura local devido aos nossos rios, ela fazia doces, uma coisa ou outra, mas não era na área de confeitaria não, mas foi através da minha avó que infelizmente não está mais aqui que tudo começou, foi vendo seu amor, sua dedicação, seu capricho em cozinhar que eu comecei a ter um olhar diferente sobre cozinhar para as pessoas, passei a entender que cozinhar era um gesto de amor, delicadeza para com o outro, devo isso a minha avó, e cada doce produzido tem um pouquinho dela, cada receita testada, cada produto novo que entra no cardápio eu sinto o cuidado dela comigo, uma das minhas grandes tristezas e ela não estar aqui para ver minhas vitórias diárias.

Diário do Estado: Você já tinha essa percepção que iria por esse caminho dos doces?
Geissy:
Nas festas em família, nos aniversários e datas festivas sempre falavam: Os doces são da Geissy, então talvez sim, talvez isso já estivesse dentro de mim, mesmo que eu ainda não tivesse percebido

Diário do Estado: Você se lembra qual foi a primeira receita que você fez? E alguma deu errado?
Geissy:
A minha primeira receita foi o queridinho do brasileiro, o brigadeiro, e a primeira receita que deu errado que ninguém comeu foi um bolo de fubá que eu fiz, foi da forma direto para o lixo, absolutamente ninguém pode comer de tão duro que ficou, mas errar faz parte, hoje mesmo, faço  vários testes, erro, acerto, é normal errar, não podemos errar na hora de entregar para o cliente, mas erros podem acontecer, mas na minha cozinha sempre digo para minha equipe: Errar faz parte, mas se errarmos vamos refazer quantas vezes forem necessárias mas nosso erro não pode chegar até o cliente.

Diário do Estado: Quando você começou de fato com a confeitaria em Coxim e como foi empreender aqui?
Geissy:
É uma data muito difícil de esquecer, foi no meu aniversário em 2023, dia 10 de junho, estávamos no mês de festas juninas, uma época que eu amo, a minha data preferida no calendário, aproveitando essa data fiz um brigadeiro de milho, em formato de espiga de milho, me lembro que fiz 10 caixinhas com 4 unidades cada caixa, assim que anunciei vendi tudo, o vídeo que fiz desses docinhos teve mais de 1.000 visualizações, foi aí que eu e meu esposo pensamos: Opa, isso pode dar certo e desde então nunca mais paramos, empreender aqui foi um desafio Glenda principalmente para mim que gosto de uma confeitaria mais moderna, não tão amarrada ao tradicional, gosto de trazer coisas diferentes para os meus clientes e as pessoas ainda estão muito presas naquela confeitaria tradicional e eu não queria ser vista como : “A menina que vende doces”, queria ser reconhecida pela minha marca por trazer o diferencial, mas consegui me incluir no mercado da confeitaria de Coxim e da região antes que eu imaginasse.

Diário do Estado: Qual a maior dificuldade que você encontrou em Coxim para empreender?
Geissy:
Sem dúvida nenhuma a falta cursos presenciais na área, ainda continua sendo uma grande dificuldade, caso alguém queira empreender nessa área é preciso deixar Coxim, ou fazer cursos online que sabemos que não é a mesma coisa que um curso presencial, Coxim ainda é bem carente nesse sentido e temos ótimas confeiteiras aqui em Coxim, muita oferta de produtos, ótimas profissionais que merecem ter um olhar mais sensível por parte das empresas que dão as qualificações, trazendo cursos, capacitações para que essas pessoas que pensam também em empreender como eu fiz e também como outras colegas fazem se sentirem mais olhados e reconhecidos, isso ainda falta aqui em Coxim, mas fico na torcida para que essa realidade mude.

Diário do Estado: Para as pessoas que estão começando como você começou qual seria seu conselho?
Geissy:
Estudem, se capacitem, estudem sobre tudo, sobre a saúde financeira do seu negócio, sobre novas técnicas. Não podemos ficar amarrados ao passado. Não tenham vergonha de vender, principalmente não tenham vergonha de mostrar os seus produtos. Um doce de 20,00 reais faz a diferença no final do mês. Não podemos nos dar ao luxo de perder nenhuma venda, seja ela de 20,00 ou 2.000, cada venda que entra é importante. Cada cliente que nos procura precisa ser tratado com muito carinho, muito respeito, também somos consumidores e devemos tratar como gostaríamos de ser tratados, ter respeito pelos nossos clientes é o que nos faz ter o diferencial, somos procurados por 2 motivos: A qualidade dos nossos produtos e a forma que tratamos nossos clientes, quando perdemos essas duas essências nosso trabalho deixa de ser procurado.

Diário do Estado: Hoje para você, qual a melhor confeitaria do mundo?
Geissy:
A francesa, são os meus parâmetros de inovação e qualidade, a confeitaria francesa hoje para quem gosta de doces e pretende viver disso é um grande parâmetro de sabor e qualidade, além do que eles são os mestres no uso de leite, manteiga e creme de leite.

Diário do Estado: Geissy, Coxim por ser uma cidade interiorana tem algumas dificuldades em prestação de serviço e também para encontrar alguns produtos, você sente essa dificuldade?
Geissy:
Não só eu, várias confeiteiras daqui, entre outras áreas também, hoje nós temos esse recurso tão importante que se chama internet, 90% de tudo que uso compro pela internet exatamente pela dificuldade em encontrar certos produtos aqui e quando encontramos são caríssimos, então hoje quem me atende é a internet e quando preciso de algumas coisas mais rapidamente vou até a capital Campo Grande, mas Coxim realmente ainda tem essa dificuldade em atender a mão de obra local

Diário do Estado: Em números, entre docinhos e bolos quanto você vende mês? E qual a maior encomenda que você já recebeu?
Geissy:
Glenda, em torno de 6.000 doces (Seis mil) e 2.000 (Dois mil kilos de bolo), isso atendendo Coxim e toda região. A maior encomenda até agora foi para um casamento, 2.000 docinhos, 20 kilos de bolo e 50 bolos de pote, esse pedido foi um dos maiores e foram 8 dias produzindo até a entrega.

Diário do Estado: Você agora está prestes a realizar seu sonho de abrir sua confeitaria como estão os preparativos?
Geissy:
Muito ansiosa Glenda, muito ansiosa mesmo, as obras começaram, é um sonho que está saindo papel e tomando vida, acredito que em setembro faremos a inauguração desse espaço lindo, pensado com todo carinho para receber nossos clientes queridos que tanto nos prestigiam sempre e também será uma forma de agradecer por tanto carinho e confiança para comigo, é como um filho que estivesse nascendo, foi muito sonhado, muito esperado, e como sempre tudo que faço eu consagro ao senhor e entrego a ele para que seja feita sempre a sua vontade, tenho a certeza que será um lugar abençoado, próspero e que vai ser um ponto de encontro que criará muitas memórias afetivas em que ali entrar.

Diário do Estado: Hoje, olhando para sua trajetória, você imaginou que em tão pouco tempo sua vida teria sido tão transformada?
Geissy:
Jamais, Deus me honrou com muito mais daquilo que eu pedi, tudo que me proponho a fazer na minha vida antes consagro ao senhor e peco a ele que seja feita a vontade dele na minha vida, se for bom para mim e para minha família, que ele faça dar certo, se não for, que ele interceda por mim, e Deus foi infinitamente meu cuidador e até aqui me trouxe uma equipe maravilhosa que posso contar sempre, que são mais que funcionárias e funcionários, são pessoas que sei que posso contar em todos os momentos, são pessoas que posso me ausentar que sei que farão exatamente como eu gostaria que fosse feito, Deus me honrou com um marido que é meu parceiro, que compra meus sonhos e minhas loucuras, que cuida de mim, do nosso empreendimento com todo amor, zelo, paciência e cuidado, nossos filhos são bençãos em nossas vidas, e nossos clientes que são o meu motivo de levantar da cama todos os dias e dar o meu melhor, eles são o maior motivo da nossa prosperidade e preciso honrá-los todos os dias, como eu imaginaria chegar tão longe? Mas hoje eu tenho esse entendimento que se entregarmos tudo a DEUS ele fará infinitamente mais daquilo que desejamos e só precisamos devolver com trabalho, lealdade, honestidade e obediência, o resto ele faz.

Diário do Estado: Você esse ano ganhou um prêmio muito desejado em Coxim como a melhor confeitaria da cidade, como foi receber esse prêmio?
Geissy:
Inacreditável, eu nem sabia que estava concorrendo, soube que estava concorrendo e que havia sido eleita a melhor confeitaria da cidade no mesmo dia, não consigo explicar com palavras o que eu senti, imagina, tão pouco tempo na confeitaria e receber um reconhecimento desse, ser indicada entre as melhores já seria um grande feito para mim, eu realmente não esperava receber esse prêmio e nem me sentia ainda nesse patamar, mas preciso agradecer todos que responderam a pesquisa e colocaram a doces sensações entre as que estavam disputando, agradeço principalmente meus clientes que são os melhores que eu poderia ter, sem eles nada disso seria possível, tenho uma equipe maravilhosa, tenho minha família, meu marido e filhos que são minha base e meus clientes que cada dia que passa me motivam ainda mais, Deus tem sido maravilhoso em minha vida, realizando muito além de tudo que pedi.

Diário do Estado: Vamos fazer agora o nosso bate-bola Geissy, preparada?
Geissy:
Vamos lá

Diário do Estado: Uma cor?
Geissy:
Azul

Diário do Estado: Uma música?
Geissy:
Um hino, João: 20

Diário do Estado: Um lugar?
Geissy:
Minha cozinha

Diário do Estado: Uma comida?
Geissy:
Brigadeiro

Diário do Estado: Um desejo?
Geissy:
Minha confeitaria

Diário do Estado: O que te irrita?
Geissy:
Pessoas aproveitadoras

Diário do Estado: Um dia feliz?
Geissy:
Comer

Diário do Estado: Um dia Triste?
Geissy:
A morte da minha avó

Diário do Estado: Uma realização?
Geissy:
Ter concluído o ensino superior

Diário do Estado: Um medo?
Geissy:
Não poder mais cozinhar

Diário do Estado: Maior alegria?
Geissy:
Nascimento da minha filha

Diário do Estado: Se você tivesse um super poder, qual você gostaria de ter?
Geissy:
Erradicar a fome no mundo

Diário do Estado: Uma dor?
Geissy:
Ter perdido minha avó e ela não ter visto minhas realizações hoje

Diário do Estado: Uma palavra bonita para você?
Geissy:

Diário do Estado: Uma palavra feia para você?
Geissy:
Egoísmo

Diário do Estado: Um cheiro?
Geissy:
Baunilha 

Diário do Estado: Sua filha para você é? 
Geissy:
Tudo

Diário do Estado: Seu marido para você é?
Geissy:
Minha base, meu esteio, onde me sinto segura e protegida, meu melhor amigo, meu parceiro

Diário do Estado: Sua equipe para você em uma palavra
Geissy:
Família

Diário do Estado: Agora gostaria que você deixasse suas considerações finais Geissy
Geissy:
Glenda, gostaria de agradecer muito a oportunidade que o jornal Diário do Estado através da dona Elô e Sr Rubens deram de poder contar um pouco da minha trajetória ate aqui na confeitaria, neste mês das mulheres espero que muitas outras mulheres sejam encorajadas a tomar as rédeas das suas vidas e empreender, não pensem que é fácil, não é, mais é preciso começar, não desistir na primeira dificuldade, nos erros das receitas e que quando os pedidos não chegam, não chegam em um dia, chegam no outro, se cada mulher que empreender oferecer um bom produto e bom atendimento ela conseguirá vencer, tudo para nós mulheres é mais difícil, nada cai no colo, somos esposas, mães, profissionais, cada uma com sua história, mas o que não podemos deixar acontecer é que alguém nos diga que não podemos ou que somos limitadas, podemos fazer tudo que quisermos e nunca é tarde para realizar nossos sonhos, foi-se o tempo que mulheres tinham que ficar em casa somente cuidando da casa, do marido e dos filhos, eu faço tudo isso, mas também ganho meu dinheiro e ajudo outras pessoas a ganharem seu dinheiro também, então a confeitaria hoje vai muito além de sonhos e expectativas, comecei com 10 caixinhas de docinhos, hoje gero empregos e tive minha vida transformada por que acreditei que seria possível, todas nós podemos,basta acreditar.