Saúde
O Grito Silencioso da Saúde Mental: Pesquisa divulgada mostra que a população brasileira
12 MAR 2025 • POR Glenda Melo / Diário do Estado • 10h41A mente grita, mas ninguém ouve. O corpo está presente, mas a alma se afasta, cansada de lutar uma guerra invisível. Quantas vezes um sorriso escondeu uma tempestade? Quantas noites foram atravessadas pelo peso de pensamentos que insistem em não se calar?
Vivemos em um mundo onde a dor emocional ainda é tratada como fraqueza, onde se exige resiliência sem oferecer acolhimento. “Seja forte”, dizem. Mas e quando a força se esgota? Quando levantar da cama parece uma batalha? Quando respirar parece um esforço sobre-humano?
A depressão não é frescura. A ansiedade não é exagero. O suicídio não é covardia. São gritos sufocados por uma sociedade que ainda enxerga a saúde mental como um tabu. O sofrimento não tem rosto, não tem classe social, não tem idade. Ele se esconde nos detalhes: no olhar distante, na resposta curta, no silêncio prolongado.
Precisamos falar. Precisamos escutar. Precisamos estar dispostos a enxergar o que não é dito. A dor invisível é tão real quanto qualquer ferida física e merece ser tratada com o mesmo respeito, urgência e compaixão.
Se você sente que está se afogando, peça ajuda. Se alguém ao seu redor parece estar se perdendo, estenda a mão. Às vezes, um gesto pode ser a diferença entre a escuridão e a esperança, uma conversa de poucos minutos pode fazer a diferença entre a vida e a morte, precisamos ter um olhar de empatia para os que estão ao nosso lado, em tempos atuais em que o egoísmo tem tomado conta de a humanidade olhar para o próximo continua sendo o melhor remédio contra esses males.
Em uma pesquisa divulgada hoje (10) pelo Ministério da Previdência Social mostra que no último ano transtornos mentais tornaram milhares de pessoas incapacitadas de exercer suas funções profissionais e vidas pessoais, em comparação com ano anterior as 472.328 licenças médicas concedidas representam um aumento de 68% em 2024.
Diante da pesquisa divulgada procuramos o Psicólogo Renan Maia, responsável por atendimentos na rede pública de Coxim como o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) para tentarmos entender um pouco o que se passa com as pessoas que passam por esses transtornos citados na pesquisa, que começa nos dizendo que:
“A depressão, por exemplo, que é uma das doenças que chamam mais atenção quando a gente fala sobre adoecimento mental e é a doença mais incapacitante para o trabalho hoje no mundo, ainda assim muitas pessoas não conhecem sobre a depressão não entendem como ela age. É importante que a gente eduque a população para entender, muitas vezes fala-se sobre a incapacidade no trabalho como se fosse uma escolha do individuo, porém não entende como a depressão afeta a maneira de pensar do indivíduo, a maneira de se comportar, a forma como interpreta certas informações e a forma como o humor vai se manifestar. Então entender isso é importante para que a gente comece a se conscientizar e consiga lidar com a pessoa de uma forma mais humana e mais acolhedora. Conseguir compreender um pouco mais como ela age, possibilita ter mais empatia, ter um contato que vá ajudar essa pessoa, sejam familiares, amigos, colegas de trabalho... ao invés de ter um contato que pode muitas vezes potencializar os sintomas da doença e adoecer ainda mais esse indivíduo.
Como se percebe na pesquisa, o aumento nos afastamentos principalmente devido os quadros de ansiedade e depressão. Recentemente a gente também tem percebido um afastamento maior devido Burnout que é o esgotamento no trabalho. É importante isso servir como um alerta para que a gente comece a repensar e a gente começa a desenvolver ambientes de trabalho que sejam mais saudáveis, mais acolhedores e que realmente possam promover um espaço onde o trabalhador possa se tornar produtivo, se sentindo importante agente social e não explorado e/ou assediado.
A pandemia deixou sequelas, passado o momento inicial de temor e aquele estado de alerta, fica agora o tempo da gente lidar com as consequências disso, do isolamento, do afastamento do luto, das mudanças repentinas que ocorreram nesse curto espaço de tempo.
Não podemos mais tratar a saúde mental como um assunto secundário, na verdade a saúde mental tem que vir com uma grande pauta, como o grande assunto a ser explorado e abordado. Seja no serviço público ou empresas privadas, seja no seio familiar, seja pela grande mídia... É importante que esse debate venha à tona e que a gente possa modificar a forma como a gente olha para a saúde mental. É importante que a gente valorize os profissionais que ali atuam porque até então a saúde mental é o “patinho feio” que ninguém quer ver, ninguém quer tratar... Então precisamos mudar esses preconceitos e para modificar isso a gente precisa tratar com a naturalidade e a seriedade que exige.
Buscar ajuda não é fraqueza, é coragem. E se alguém ao seu redor estiver lutando, não julgue. Não tente consertar com frases prontas. Apenas esteja lá. Ouça. Apoie. Porque, às vezes, um simples “eu estou aqui” pode ser a mão estendida que salva alguém. A dor não precisa ser enfrentada sozinha. A depressão não define quem você é. E acredite: há esperança. Sempre há, e caso alguém precise de ajuda e esteja se sentindo assim, procure um profissional de sua confiança. Além disso, o CAPS de Coxim, atendemos de segunda-feira à sexta-feira, para entrar em contato o telefone é (67) 3291-4052 e o endereço é Rua Afonso da Costa Campos, bairro Senhor Divino, não sinta vergonha, estamos ali para acolher todos que precisem, finaliza Dr Renan”.
