Bispo
É no silêncio que ouvimos a voz de Deus
7 FEV 2025 • POR Assessoria • 09h58É de conhecimento geral que, vivemos em um mundo que não valoriza o silêncio. O mundo atual através da globalização está cada dia mais barulhento, um mundo imerso aos ruídos, músicas altas, conversas sem propósitos, vivemos sem pausas, não pensamos para falar, não temos tempo para refletir e até mesmo para contemplar e encontrar aquilo que habita no mais íntimo de nós.
O silêncio é uma forma de oração essencial no nosso dia a dia. Devemos seguir o exemplo de Jesus, que, após seu nascimento e apresentação no templo, viveu trinta anos em “silêncio”. E ao iniciar sua missão, retirou-se para o deserto, onde passou quarenta dias em recolhimento. Precisamos ouvir a voz de Deus em oração, escutar o Pai antes de falar. Primeiro, devemos pedir a graça do silêncio, uma virtude difícil de alcançar, mas, que devemos buscar no mais íntimo do nosso coração.
O silêncio, tão crucial em nossas vidas, está sendo negligenciado. Sempre foi desafiador contemplá-lo, mas, nos dias de hoje, essa dificuldade parece ainda maior. Ele é como uma necessidade básica do ser humano, comparável ao sono. Após uma boa noite de descanso, acordamos revigorados para um novo dia. Da mesma forma, o silêncio nos renova, permitindo que nos reconectemos com Deus e conosco mesmos.
Precisamos aprender a fechar os olhos, os ouvidos e a boca, silenciando-nos para que Deus possa falar. Muitas vezes, ao orar, deixamos que mágoas e distrações tomem conta de nós, perdendo o foco da oração. É necessário nos “esvaziar” de nós mesmos e abrir espaço para ouvir a voz de Deus, compreendendo o que Ele espera de nós.
Quantas vezes nossas orações diárias se tornam automáticas? Rezamos, mas nos perdemos em pensamentos, a ponto de nem lembrarmos do que pedimos. Precisamos nos aproximar de Deus, nos encher do Espírito Santo e seguir o exemplo de Maria, que guardava tudo em seu coração e falava no momento certo, ou de São José, que viveu a plenitude do silêncio através de suas ações.
Quanto mais próximos de Deus, menos dependemos de palavras. Ele nos conhece e ao nos aproximarmos D’Ele, passamos a conhecê-Lo melhor. Como dizia São Francisco de Assis: “Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras.” Devemos pedir a graça de redescobrir o silêncio, para não nos esquecermos de ouvir o Senhor.
Frei Luís Felipe C. Marques nos lembra: “Entre os atos rituais que pertencem a toda a assembleia, o silêncio ocupa um lugar de absoluta importância. Toda boa liturgia começa no silêncio e termina no silêncio.” No entanto, em nossas celebrações, muitas vezes nos deparamos com uma assembleia inquieta e ruidosa, reflexo de um mundo barulhento que carregamos para dentro da Igreja.
“O medo do vazio é uma das grandes angústias do nosso tempo.” Temos medo do silêncio porque ele nos confronta com quem realmente somos. Mas não devemos temê-lo, pois é no silêncio que ouvimos os sussurros de Deus. Que possamos buscar essa graça e, assim, encontrar a paz que só Ele pode oferecer.
TV Divino, Pastoral da Comunicação da Catedral São José
