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Político: o descompasso entre as promessas e a realidade

13 AGO 2014 • POR Carlos Pires • 12h53

Todos sabem que a conquista de um mandato político obtido por meio do voto é uma verdadeira guerra e que só pode entrar nessa batalha quem tiver perfil próprio para tal, ou, em outras palavras, quem tiver jogo de cintura. Além disso, como nos disse certa vez um destacado político, o candidato a um cargo eletivo não pode ser ingênuo. Do contrário, se ele entrar nessa briga sem um objetivo concreto só vai levar chumbo. E chumbo do grosso, como se diz na gíria popular. 
Já tivemos a oportunidade de afirmar em outras reportagens que a lógica na política é a própria falta de lógica. Lógica no sentido próprio da palavra, como forma de argumentação válida, não falaciosa, em especial a partir da lei da não contradição. É certamente a partir desta idéia que podemos compreender a afirmação de que o político é capaz de fazer acordo com Deus e com o Diabo ao mesmo tempo, só para chegar ao poder. É inegável: a política é a arte da negociação. É a arte que só o próprio político entende. E, se não entender, as conseqüências obviamente serão desastrosas.
Uma coisa é fazer acordos políticos para governar bem. Outra bem diferente é fazer promessas, muitas vezes até milagrosas, para conquistar o voto do eleitor e depois deixar de cumprir mesmo as mais viáveis. Isso pode caracterizar uma forma de “estelionato eleitoral”. E o eleitor, como diziam nossos ancestrais portugueses, “ficam a ver navios”. 
Não se pode negar que o eleitor também tem culpa nesse contexto. Mesmo porque quando “a promessa é grande, o santo desconfia”. Ou deveria desconfiar. A propósito, as eleições estão chegando. É hora de prestar bem a atenção nos candidatos sérios e naqueles que já estão no poder a muito tempo e nada fizeram de concreto em benefício do povo. É preciso avaliar com cuidado as promessas concretas daquelas falaciosas.
Uma coisa é o candidato trazer a público seu plano de governo e de onde supostamente sairão as receitas para executá-lo, o que é seu dever, como futuro gestor da coisa pública. Outra coisa totalmente oposta é fazer promessas inviáveis, para conquistar o voto do eleitor e depois, jogar a bomba nas mãos do povo para que arquem com as conseqüências de uma escolha errada…
Utilizar-se de um microfone, com boa locução e com palavras bonitas, para fazer promessas que sabe que não vão ser cumpridas, não deixa de ser uma forma de “estelionato eleitoral”, além de um ato de total desrespeito ao eleitor, e com a sociedade em geral.
Não há dúvida de que a democracia é o melhor caminho para mudar os rumos de uma nação. Entretanto, o mandatário que recebe essa incumbência deve estar consciente de que pode e deve cumprir as promessas de campanha, sobretudo aquelas que atendem aos anseios da sociedade e que ensejaram a escolha feita pelo eleitor. 
A democracia é uma via de duas mãos. O eleitor, assim como elege alguém para ser o seu representante na gestão da coisa pública, pode e deve também cobrar o cumprimento das suas promessas e até, por meio das vias competentes, tirá-lo do poder se não o mesmo corresponder às expectativas.  Afinal de contas se é o povo que elege os políticos, nada mais justo do que o próprio povo para exigir a saída dos maus políticos do poder. Daí a necessidade de se votar conscientemente e começar um verdadeiro “recall político”, pelo bem do povo que está cansado da mesmice e das velhas raposas que só dilapidam o erário público. É hora de mudança, e o momento é propício para isso.