Agência antidopagem pede suspensão da Federação Russa de Atletismo
9 NOV 2015 • POR O Globo • 17h06A Agência Mundial Antidopagem (Wada, na sigla em inglês) recomendou que a Federação de Atletismo da Rússia seja suspensa devido a "repetidos casos de doping e falhas sistemáticas no combate ao uso de substâncias proibida por atletas do país". O relatório de uma comissão de trabalho da Wada, divulgado nesta segunda-feira, "identificou falhas sistemáticas com a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) e a Rússia", que impediram ou prejudicaram a possibilidade de um programa antidopagem efetivo.
Caso a recomendação de suspensão da federação russa seja adotada pela IAAF, o país poderá ficar fora de todas as competições internacionais do atletismo, inclusive os Jogos Olímpicos do Rio, no ano que vem.
A Wada recomenda também o banimento de cinco atletas russos, entre eles a atual campeã olímpica dos 800 metros, Maryia Savinova. O relatório se concentra no atletismo russo, mas estima que o sistema de "doping organizado" possa atingir outros esportes e países. O texto diz ainda que o esquema de doping "não poderia existir" sem consentimento do governo russo.
A Wada chegou a dizer que as Olimpíadas de Londres, em 2012, foram sabotadas por casos de doping. Segundo o jornal inglês "The Guardian", em reportagem publicada nesta segunda-feira, o relatório, comandado por Richard Pound, ex-presidente da Wada e ex-vice-presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), denuncia pagamento de propinas de autoridades da Rússia ao ex-presidente da IAAF, Lamine Diack, que está sendo investigado por corrupção e deixou o cargo em agosto, após 16 anos no poder. Ele teria aceitado dinheiro para acobertar resultados de atletas russos em exames de controle antidopagem. Ainda de acordo com a reportagem, dentre os competidores que teriam competido dopados estão dois ganhadores de medalhas (um ouro e uma prata) em Londres-2012 (os nomes não foram revelados).
Lamine Diack e outras três pessoas - entre elas um filho dele - são suspeitos de acumular US$ 1 milhão (R$ 3,8 milhões) em propinas para esconder resultados positivos de uso de substâncias proibidas.
