Nova assembleia pode destituir Francisco Cezário da FFMS
4 OUT 2024 • POR (João Gabriel - Correio do estado) • 09h40Incomodados com a atuação de Francisco Cezário, que estaria interferindo na Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS) "por debaixo dos panos", clubes e dirigentes que fazem parte do quadro associativo convocaram uma nova assembleia geral extraordinária para o julgamento administrativo de supostos atos irregulares praticados pelo gestor, afastado da entidade por corrupção.
A convocação foi realizada pelo gestor interino, Estevão Petrallas. A reunião está marcada para as 14h, na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), localizada na Rua Antônio Corrêa, 417, Jardim Monte Líbano, em Campo Grande.
De acordo com a apuração da reportagem, os clubes estão revoltados com o comportamento de Francisco Cezário, que, mesmo usando tornozeleira eletrônica, estava interferindo na troca do gestor interino Estevão Petrallas por João Garcia Ferreira, ex-presidente do Aquidauanense e um dos vice-presidentes executivos da entidade, sem consultar os clubes.
De acordo com a visão de alguns dirigentes ao Correio do Estado, Cezário foi ousado ao querer interferir na FFMS, mesmo sabendo que o Ministério Público "estaria na sua cola", realizando reuniões em sua residência com presidentes de clubes e dirigentes esportivos, além de acompanhar "de perto" as reuniões que eram realizadas na entidade.
Seguindo o edital da FFMS, Cezário tem agora 30 dias para apresentar sua defesa. Caso os associados deem seguimento à destituição, será votada uma nova convocação e agendadas novas eleições na entidade.
Cartão Vermelho
Cezário foi preso na manhã do dia 21 de maio deste ano, como um dos alvos da Operação Cartão Vermelho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que investiga o desvio de mais de R$ 6 milhões da Federação de Futebol de MS, entre os anos de 2018 e 2023. Somente na casa de Cezário, foram apreendidos mais de R$ 800 mil.
Menos de uma semana após a Operação, ele pediu afastamento do cargo. No dia 6 de julho, teve liberdade concedida, com o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias, e proibição de contato com demais acusados e testemunhas.
A liberdade só foi concedida porque no dia 5 de junho, Cezário deixou o Presídio Militar com um princípio de infarto, e precisou fazer um cateterismo, procedimento que trata doenças cardíacas por meio da introdução de um tubo flexível, o cateter. O problema aconteceu logo após ele tomar conhecimento falecimento da irmã, Maria Rosa Cezário, de 81 anos, que morreu naquele mesmo dia, vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Na manhã do dia 28 de agosto, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi à residência de Francisco Cezário para cumprir um novo mandato de prisão, desta vez por descumprimento das medidas cautelares impostas na concessão de liberdade.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), o ex-dirigente continuava a participar, nos bastidores, dos rumos da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul.
Investigações apontaram que Cezário articulava com aliados e fazia reuniões em sua própria residência com presidentes de clubes e dirigentes esportivos, além de acompanhar "de perto" as reuniões que eram realizadas na FFMS.
