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Paradoxo ao avanço tecnológico, Rodoviária de Coxim sofre com o abandono

6 SET 2024 • POR (Augusto Marques - Acontece 67) • 09h31
  augusto marques

Coxim, cidade histórica e turística do Norte do Mato Grosso do Sul, apresenta um contraste surpreendente entre a modernidade dos novos painéis informativos de embarque e desembarque de ônibus intermunicipais e as precárias condições de sua rodoviária. Em uma recente iniciativa, a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (AGEMS) instalou Smart TVs de 60 polegadas em pontos estratégicos do terminal, oferecendo informações em tempo real. No entanto, essa modernização levanta questões sobre a real eficácia de melhorias em um local que, há mais de 25 anos, é administrado pela iniciativa privada, por membros da mesma família e se encontra praticamente abandonado.
Com uma população de cerca de 33 mil habitantes, Coxim se vê como mais um exemplo da desigualdade de investimentos públicos e privados. A instalação das TVs segue uma lógica de avanço tecnológico, mas o que se observa na prática é que as condições do terminal permanecem inadequadas para os usuários. Reclamações são recorrentes: banheiros sujos, falta de manutenção e uma estrutura que não condiz com as necessidades de um município que busca se posicionar como destino turístico.
Moradores e viajantes têm sido forçados a reverter sua busca por conforto e dignidade em locais alternativos, como um restaurante à beira da BR-163 que, por sua vez, disponibiliza banheiros limpos e um ambiente agradável. A indignação é palpável: “É uma vergonha um município turístico como Coxim saber que, por descaso, temos que nos acomodar em um restaurante para embarques”, lamenta um usuário do terminal.
As tentativas de resolução do problema parecem esbarrar em impasses burocráticos. A prefeitura local admitiu em declarações que já fez diversas tentativas de articular melhorias com os proprietários da rodoviária, mas sem sucesso. Licitações para a construção de um novo terminal foram realizadas, mas todas elas resultaram em propostas desertas. Agora, a administração municipal busca uma nova rodada de licitações e, caso não obtenha sucesso, pretende se alavancar em emendas federais e estaduais para viabilizar uma nova rodoviária.
Diante deste cenário, a ideia de uma família ostentar a propriedade de um terminal de passageiros por tanto tempo e, ainda assim, não proporcionar condições mínimas de atendimento se torna não só uma crítica, mas também uma reflexão sobre  garantir uma infraestrutura adequada para a mobilidade urbana.
Em última análise, a instalação de painéis informativos de alta tecnologia em um terminal inóspito é uma tentativa de mascarar a realidade. A população de Coxim clama por ações efetivas e urgentes que vão além da superficialidade das informações em telas. O tempo de atualização e modernização neste caso é mais do que necessário; é urgente que as promessas de melhoria se transformem em ações concretas que dignifiquem o transporte e a experiência de todos que transitam pela cidade.