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Pastor da Aliançados oferecia formação e monitorava igrejas ´abaixo dos 12.000´

5 SET 2024 • POR  (Valesca Consolaro - Midia Max) • 09h27
  Reprodução

Em meio a repercussão de várias acusações contra líder da Comunidade Cristã Aliançados em Mato Grosso do Sul, o pastor Denilson Fonseca, mais uma ganha destaque: a existência de um grupo com as igrejas que tinham arrecadação abaixo de R$ 12 mil ao mês. Por meio do grupo, ele passava orientações sobre como alcançar comerciantes, com base em sua estratégia denominada como “culto, fé e negócio”.
Conforme as denúncias feitas ao Midiamax, incluindo a do pastor Paulo Lemos, que desencadeou uma série de relatos com relação aos abusos de Denilson, o chefe da comunidade era conhecido por constranger pastores que arrecadassem muito menos que outros. Segundo as afirmações, era comum a comparação e questionamentos em relação aos motivos por alguns arrecadarem menos que determinados colaboradores.
Inclusive, há registros de um grupo denominado como “Igrejas abaixo dos 12K”, por meio do qual ele monitorava a “produtividade” na arrecadação de cada local. A meta era atingir ganhos de R$ 12 mil por mês para então poder deixar o grupo.
Por meio do mesmo grupo, ele retomava ensinamentos dados em sua formação de “culto, fé e negócio”, para cada pastor saber como atingir a meta.
“Lembrando que esse culto só vai dar certo se vocês fizerem a visita aos comércios. Se vocês só divulgarem no Instagram e avisar no final do culto, não vai dar certo. O ‘culto, fé e negócio’ só vai acontecer se vocês derem a cara a tapa e ir de comércio em comércio, né, pelo menos na sexta-feira que antecede o culto, tá?”, disse Denilson em um dos áudios aos quais o Midiamax teve acesso.
Segundo o pastor Paulo Lemos, que fala abertamente sobre o caso, Denilson ficou conhecido por falar, inclusive, que o problema de alguns pastores era “ser pastor de pobre”.
Confira reproduções de tela de algumas trocas de mensagens realizadas no grupo “Igrejas abaixo dos 12K”:
A reportagem entrou em contato com o pastor Denilson, para poder se posicionar em relação a tal caso, mas não houve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para acréscimo de informação.
Dezenas comentam terem sido
intimidados
O pastor Paulo Lemos publicou uma nota oficial sobre seu desligamento da comunidade, que foi acompanhado de assédio moral e destruição de sua imagem. A nota foi publicada no dia 25 de agosto, por meio de vídeo em rede social, mobilizando centenas de comentários na postagem, dos quais muitos são de relatos de pessoas que teriam sofrido o mesmo tipo de desmoralização.
Segundo Lemos, nos últimos anos, pelo menos 40 pastores foram demitidos sob o mesmo “modus operandi”. Os afastamentos seriam sempre acompanhados de destruição da imagem do pastor alvo do momento. O motivo? Eles seriam pessoas que ‘sabiam demais’ ou que ganhavam ‘mais visibilidade e fama’ do que deveriam.
A nota ganhou repercussão nacional e soma centenas de comentários, nos quais não é difícil encontrar relatos que se assemelham ao do pastor Paulo Lemos.
Em um desses, é destacada a seguinte afirmação: “Assim como todos, na nossa saída pra eles e pra maioria que frequentam a igreja, nós ficamos como rebeldes e desleais. Foram ditas mentiras, calúnias a nosso respeito pelo atual pastor”, escreveu.