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Caminhada de conscientização contra a violência encerra mês das mulheres em Campo Grande

29 MAR 2014 • POR Mayara Sá e Fernanda Kintschner • 13h35

Uma caminhada para alertar a população sobre a importância da denúncia e às punições de crimes praticados contra a mulher encerra o mês delas em Campo Grande neste sábado (29). Promovido pela OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul), o movimento é liderado pela Comissão Provisória de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e compõe o planejamento de ações do Fórum Permanente de Enfrentamento e Combate à Violência.

Presidente da comissão, a advogada Tatiana Ujacow, diz que o objetivo da campanha é atingir diretamente o agressor, para que ele fique ciente que se não for por respeito e dignidade à mulher, que não agrida por temor a lei e às punições. “O que falta é o entendimento de que as punições são sim efetivas, mas também é necessário que a mulher tenha o apoio para ficar livre do agressor, tanto financeiramente quanto emocionalmente”, adverte.

Durante a manifestação, Tatiana explica que a Carta do Fórum das Mulheres que pede um conjunto de ações, sendo um dos principais a implantação de Delegacias da Mulher 24 horas em 12 municípios do Estado e a criação de uma Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra Mulher na cidade de Dourados. “Se não for isso, em conjunto com o investimento em educação que contorne a cultura machista, na qual a violência está arraigada não vamos conseguir mudar”, frisa.

Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS), afirma que a criação da comissão visa desenvolver um trabalho preventivo e construir meios para conscientizar que a mulher tem direitos de ser protegida, o que já está sendo feito. “Dados apontam que a maioria não denuncia e isto é o preocupante para nós. Estamos fazendo pesquisas e ações para reverter isso e descobrir as causas”, explica.

Para o pastor Silas dos Reis, que estava no centro da cidade e viu a manifestação, o problema da violência está relacionado ao consumo de drogas e álcool. “Falta trabalho que retire as drogas e a bebida porque o que a gente sempre vê e que as mulheres que chegam até nos apanham após os maridos se envolverem com drogas e bebidas”, diz.

Já a vendedora Natalia Paes  diz acreditar que o problema está na falta de ação efetiva da Justiça. “Eu acho que as mulheres não denunciam porque a Justiça não funciona. Depois o cara volta e mata ela. Não denunciam por medo”, critica.

A caminhada iniciou-se as 9 horas e teve início na Avenida Afonso Pena esquina com a Rua 14 de Julho.