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Nem incêndio à beira de casa afugenta Antônio, que trocou a cidade para ter o Pantanal como lar

24 JUN 2024 • POR Thalya Godoy • 08h56
  (Henrique Arakaki, Jornal Midiamax)

Na terra, a casinha feita de madeira e lona às margens do Rio Paraguai. No coração, a paz por ter o Pantanal como quintal. Antonio Donizete de Matos, de 66 anos, fincou morada no Pantanal. Por isso, nem mesmo um incêndio a 300 metros de casa afugentou o Ribeirinho, que trocou a cidade pelo ar fresco da natureza. 

A maior planície alagada do mundo sofre há semanas com incêndios florestais, que transformaram a paisagem da natureza e das cidades pantaneiras. Corumbá, por exemplo, está encoberta por fumaça e fuligem, enquanto na terra encontra-se um solo pincelado de preto, animais queimados ou desesperados tentando fugir do fogo. 

monitoramento de focos ativos do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostra que o número de focos no Pantanal de Mato Grosso do Sul chegou a 1.942 do início de junho até a última sexta-feira (21), o que já é muito maior na comparação com todo mês de junho do ano passado, quando o bioma registrou 77 focos de incêndio.

Antônio não troca o Pantanal pela cidade

 

Aposentado e viúvo há cinco anos, Antônio não titubeou: decidiu “trocar” a casa na Cidade Branca por uma residência simples às margens do rio. Mesmo ainda tendo moradia na área urbana, prefere passar o dia rodeado pela natureza.

Contudo, esse sossego foi perturbado nos últimos dias com a chegada das chamas perto de casa. “É a primeira vez que chega bem pertin [sic]. O medo é constante porque a gente não sabe quando vai acontecer, pode chegar uma pessoa fumando, um palito de fósforo, uma bituca de cigarro e tudo começa de novo”, ele teme. 
O ribeirinho lamenta que os bichos, os maiores prejudicados com o fogo, muitas vezes não conseguem fugir das chamas.