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O silencioso adoecimento dos Policiais

23 ABR 2024 • POR (Glenda Melo/ Diário do Estado) • 09h02
  Reprodução/sipesp

A profissão de policial, têm fatores de estresse maiores do que os da população em geral, o que leva a problemas emocionais e incidência de suicídio mais elevados. 
“No caso dos policiais, o ambiente de trabalho inclui rotina de pressão, abuso de autoridade, e em alguns casos humilhações dos superiores, escala de trabalho exaustiva, risco constante de ser ferido ou morto em uma operação, treinamento e equipamentos aquém do necessário, falta de reconhecimento pela sociedade, baixos salários entre outros, a saúde emocional desses profissionais deve ser foco de atenção das corporações. Além da preocupação com o indivíduo e sua família, não se pode deixar de reconhecer que um policial com problemas psíquicos como depressão, ansiedade, bipolaridade ou excesso de ira é uma insegurança para a sociedade, pois pode extravasar seu sofrimento e sua frustração nas ruas por conta dos transtornos, sendo este um dos fatores que explicam a violência e a arbitrariedade comuns nos noticiários, finaliza o Psicólogo Miquéias Pinasso”.
Não seria mais fácil cuidar deste profissional? não punir, e ver este profissional como ser humano que ele é? Merecedor de atenção e cuidado que todos nós temos?
No último sábado (20) O capitão do Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS, Leonardo Luis Mense Rodrigues, de apenas 35 anos, foi encontrado morto no bairro Mata do Jacinto, em Campo Grande.
O militar era atualmente comandante da Rotac (Rondas Ostensivas Táticas e Ações de Choque) e do setor de relações-públicas da Polícia Militar.
Os policiais são treinados como máquinas, têm apenas três segundos para decidir entre decisão letal ou não letal e são pressionados pelo regulamento disciplinar, a sociedade se esquece que esses “HERÓIS” são seres humanos, têm dias bons e ruins, famílias, problemas pessoais, medos e inseguranças, não se pode continuar olhando para eles como seres avessos ao sofrimento e a dor. 
Antes existia por parte de quem regava o sonho de ser um policial que a profissão era como um super-herói de histórias em quadrinhos, mas a realidade não mostrada nos dias deste profissional não permite entrar em um mundo que não existe, não há lugar para sonhos fantasiosos e nem para erros.
No ano de 2023, o site da SEJUSP registrou no Estado 80 casos de suicídio. Desses, 23 aconteceram na Capital: 57 em cidades do interior, sendo que 42 ocorreram na faixa da fronteira.
Em MS o Centro de Atenção Biopsicossocial da SEJUSP foi criado em 20 de maio de 2020, com o objetivo de oferecer apoio a todos os profissionais da segurança pública.
O centro foi criado de forma a reduzir alguns indicadores, como números de suicídio, afastamento para tratamento de saúde e tratamentos psiquiátricos, uso de substâncias psicoativas (álcool e drogas ilícitas), além de aumentar campanhas e programas de prevenção voltados para este público.
A verdade é que ainda existe o preconceito contra aquele policial que adoece psicologicamente, ele deixa de ser visto com aptidão para desenvolver seu trabalho e muitos acabam por não buscar ajuda por medo e vergonha e isso precisa ser falado nas corporações e deixar de ser um tabu, a vida do policial precisa ser vista como prioridade e não só na sua necessidade em servir a população.
Em Mato Grosso do Sul, o GAV - Grupo Amor Vida presta apoio emocional na prevenção do suicídio. O telefone é 0800-750-5554 (a ligação é gratuita).