Aumento do grau de escolaridade muda perfil do eleitor brasileiro
6 AGO 2014 • POR Carlos Pires • 09h34Se antes era prática comum prometer cestas básicas, emprego, tratamento médico ou qualquer outro benefício em troca de votos para conquistar um mandato, atualmente com o aumento da escolaridade do eleitor brasileiro essas propostas começam a perder espaço para um voto de mais qualidade. Para os especialistas em ciências políticas, há um novo eleitor em processo de construção, além de uma sensível melhora no nível educacional que pode se transformar em mais consciência política em médio prazo.
Apesar de a maior parte dos eleitores ainda ter baixa escolaridade, houve aumento significativo no número de pessoas com nível superior completo e incompleto e ensino médio completo e incompleto. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que dos 142,8 milhões de eleitores aptos a votar no pleito de outubro, 5,6% (8 milhões) terminaram a graduação, ou seja, uma parcela de 2,8 milhões de pessoas a mais que nas eleições de 2010. Isto pode fazer toda a diferença nas eleições deste ano.
Ainda de acordo com o TSE, o número de pessoas com superior incompleto também subiu em relação a 2010 e aumentou em 1,5 milhão, passando de 2,7% para 3,6%. O número de cidadãos com ensino médio completo também aumentou em 5,9 milhões de pessoas, passando de 13,1% para 16,6%. Já o número de eleitores com ensino médio incompleto teve um incremento de 1,8 milhão, e aumentou de 18,9% para 19,2%.
Em contrapartida, o número de analfabetos e de analfabetos funcionais (que apenas lêem e escrevem) caiu. São cerca de 700 mil analfabetos a menos que na eleição de 2010, passando de 5,8% dos eleitores para 5,1%. No caso dos analfabetos funcionais, são 2,5 milhões a menos no pleito de 2014, passando de 14,5% do eleitorado para 12%.
Voto consciente
Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Sem contar que são os políticos os gerenciadores dos impostos que nós pagamos. Desta forma, precisamos dar mais valor à política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país.
O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com um passado limpo e com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade. Nesta época é difícil tomar uma decisão, pois os programas eleitorais nas emissoras de rádio e TV parecem ser todos iguais. Procure entender os projetos e idéias do candidato que você pretende votar. Será que há recursos disponíveis para que ele execute aquele projeto, caso chegue ao poder? Nos mandatos anteriores ele cumpriu o que prometeu? O partido político que ele pertence merece seu voto? Estes questionamentos ajudam muito na hora de escolher seu candidato.
Como se pode notar, votar conscientemente dá um pouco de trabalho, porém os resultados são positivos. O voto, numa democracia, é uma conquista do povo e deve ser usado com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter conseqüências negativas e muito sérias no futuro, sendo que depois será muito tarde para arrependimentos.
