Justiça Federal aceita denúncia contra irmãos Mendes e mais seis por tráfico
4 ABR 2024 • POR CGNews • 16h53A 3ª Vara da Justiça Federal em Campo Grande aceitou denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra oito investigados no âmbito da Operação Sanctus, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no dia 8 de dezembro do ano passado para desmontar esquema internacional de tráfico de cocaína.
Entre os investigados, que agora passam a ser réus, estão os irmãos Hermógenes Aparecido Mendes Filho, de 49 anos, e Ronaldo Mendes Nunes, de 40 anos, donos de fazendas, empresas de transporte e restaurantes em Dourados, Ponta Porã e Mato Grosso.
Dos nove denunciados pelo MPF no mês passado, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini aceitou as acusações contra oito investigados e excluiu um deles do processo – Heitor de Oliveira Buss, de 49 anos, o “Techa”, um dos presos em flagrante no dia da operação com 160 quilos de cocaína em um galpão em Maricá (RJ).
Os outros seis denunciados que passam a responder como réus são Wuillhan Rojas, de 38 anos, o “Zóio”, capataz das fazendas de Aparecido em MT; a advogada Cristiane Maran Milgarefe da Costa, de 28 anos, amante de Aparecido; Markus Verissimo de Souza, de 25 anos; Luan Yamashita Gonçalves, de 33 anos, Jair Marques Neto, de 48 anos, e o contador douradense Eduardo Faustino dos Santos, de 51 anos.
“Patrões” – Segundo a denúncia, feita com base em inquérito da PF, a organização seria liderada pelos irmãos Aparecido e Ronaldo. O primeiro coordenava a logística do tráfico e promovia a lavagem do dinheiro obtido com a atividade ilícita através da circulação de altos valores através das contas de Cristiane Maran.
Cristiane fazia, segundo a PF, o pagamento das despesas de Aparecido e de Wuillhan Rojas, braço-direito do patrão, administrador de suas fazendas e "laranja" nos negócios.
Markus Veríssimo, genro de Aparecido Mendes, era, segundo a denúncia do MPF, espécie de "faz-tudo" e administrador de pagamento de contas. Já Ronaldo Mendes Nunes é acusado de utilizar suas empresas no Brasil e no exterior para reinserir o dinheiro do tráfico no mercado formal.
Luan Yamashita auxiliava Ronaldo Mendes, sendo responsável pelos pagamentos fracionados, pela contabilidade das empresas e pelo controle das contas e documentos, além de outras atividades do dia-a-dia da organização.
Sócio de escritório contábil em Dourados, Eduardo Faustino dos Santos é acusado de fraudar dados contábeis e fiscais dos líderes da organização com intuito de ocultar a origem ilícita dos recursos.
Droga no Rio – O juiz federal rejeitou a denúncia do MPF por tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico, relativamente ao flagrante ocorrido no Rio de Janeiro. Também rejeitou a imputação de uso de documento falso neste mesmo contexto (Heitor usava documento falso no momento da prisão).
Segundo o magistrado federal, embora existam indícios de autoria e prova da materialidade contra Jair Marques Neto e Heitor de Oliveira Buss, a prisão em flagrante deles faz parte de inquérito em andamento no Rio de Janeiro. “Não é caso de reunir tal feito com a presente ação penal, já que não estão presentes quaisquer das causas de conexão e continência previstas no Código Penal”, citou.
Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini também rejeitou a denúncia contra Hermógenes Aparecido Mendes Filho por tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico em relação ao flagrante no Rio de Janeiro. Segundo o juiz, a decisão é por “incompetência territorial” e “desnecessidade de unidade de processamento”.
“A droga foi carregada em Pedro Juan Caballero (PY), divisa seca com a cidade de Ponta Porã (MS), de onde partiu para Maricá (RJ). Dessa forma, este Juízo não detém competência territorial para processar o ilícito”, citou o titular da 3ª Vara Federal.
Com o recebimento da denúncia, Aparecido Mendes, Ronaldo Mendes Nunes, Wuillhan Rojas, Cristiane Maran Milgarefe da Costa, Markus Verissimo de Souza, Luan Yamashita Gonçalves, Jair Marques Neto e Eduardo Faustino dos Santos passam a ser réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Aparecido Mendes está recolhido no sistema penitenciário estadual em Campo Grande. Também seguem presos preventivamente Wuillhan Rojas, Heitor Buss e Jair Marques Neto (os dois últimos presos no Rio de Janeiro). Cristiane cumpre prisão domiciliar e Ronaldo Mendes segue foragido. Os demais respondem ao processo em liberdade.
