Má gestão é causa da crise nas prefeituras, diz presidente do CRA
7 AGO 2015 • POR • 09h57Na próxima segunda-feira (10), prefeituras dos municípios de MS vão paralisar em protesto contra a queda no valor repassado pelo Governo Federal. A mobilização levantou questionamentos de quem acredita que um município não pode depender apenas de um fundo do governo e alegar que não pode sobreviver por conta disso. Para o presidente do CRA (Conselho Regional de Administração), Sebastião Luiz Mello, o problema das prefeituras não é com a falta de repasse e sim fruto de má gestão.
Para exemplificar a situação, o presidente da entidade lembra que há secretários de administração que sequer são formados na área e que muitos municípios reclamam de crise, mas mantêm gastos desnecessários durante anos. “As prefeituras têm que cortar diárias sem motivo, grandes eventos, jantares megalomaníacos”, argumenta.
No dia 11 de setembro, o CRA estará no Congresso Nacional para solenidade em comemoração aos seus 50 anos e o assunto será levantado, segundo Sebastião. “Vamos tratar dessa questão. O município tem que discutir em vez de ficar falando que vai falir. Por que vai falir, quais as razões? De onde vêm os recursos? Como está a receita? É um processo muito amplo e ninguém pode, levianamente, disseminar esse tipo de informação de que falta recurso do Governo Federal”, comenta.
O CRA quer chamar atenção para o fato de que o conselho tem, atualmente, 400 mil administradores associados para prestar serviço para sociedade, mas são ignorados pelo poder público, em especial, municípios. “Infelizmente, dos 5.570 municípios do país, salvo exceções, quem ocupa esses cargos são compadres, nepotistas, um “amigo do rei” e é nisso que dá. Por exemplo, Campo Grande passa por uma crise. Pergunte, quantos administradores têm nos cargos de gerência? Com todo respeito, não os tem. O que se pode esperar de sua empresa quando o quadro não é ocupado por profissionais eticamente preparados e qualificados. Você pode esperar essa derrocada”, diz.
FPM – Em julho, os municípios de Mato Grosso do Sul receberam R$ 14 milhões extras do FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Mesmo assim, as prefeituras reclamam, porque esperavam o dobro. A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) solicitou ao Governo Federal um apoio financeiro de R$ 1 bilhão para complementar o valor, que foi discutido nas negociações anteriores a liberação do repasse.
