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Conselho Comunitário de Segurança de Sonora solicita que o Estado cumpra o seu papel

5 AGO 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 09h43

O Conselho Comunitário de Segurança de Sonora, entidade privada sem fins lucrativos, totalmente regularizada com utilidade pública municipal aprovada, dentro dos parâmetros legais e formado por pessoas da sociedade, pede socorro pela segurança do município de Sonora. Desde 2008 por iniciativa de um Promotor de justiça e de um Juiz de Direito, o Conselho passou a existir e fazer muito pela cidade. 
Sua área de atuação é muito ampla, auxiliando desde a prevenção, preservação e consolidação da segurança pública. Com a atuação do conselho houveram muitos avanços, pois realizou diversos trabalhos. Basta recorrer à história dos últimos anos, onde o “novo cangaço” atuou nas cidades vizinhas da Região Norte.
Sonora ficou livre destes ataques de assaltos a banco mesmo sendo uma cidade visada, devido o movimento bancário elevado gerado pelo número de empregos proporcionados pelas empresas operantes no Município, conforme estimativa da tropa de choque da Polícia. Por conta disso, a cidade conta com a ajuda do conselho que com ações objetivas consegue a vinda mensal de reforço policial e por isso acreditam que não passaram por esta situação.
Para o conselho essa ação é muito emblemática, pois conseguiu reduzir a possibilidade de que a cidade ficasse fechada sob a mira de fuzis. “Não podemos afirmar com certeza, mas na segurança pública se trabalha com probabilidades. Nos esforçamos para impedir esses ataques. O conselho apóia a vinda policiais especializados, oferecendo hospedagem e alimentação e com certeza isso diminuiu a probabilidade”, ressaltam os conselheiros da entidade. 
Dezenas de atividades aconteceram mediante os trabalhos do conselho ao longo desses oito anos, como: a instalação em prédios distintos da Polícia Civil e Militar, que antes operavam uma Unidade Mista de Segurança, sendo outro prédio cedido pelo Município e as adaptações arcadas pelo conselho; construção de 01 (uma) cela na cadeia pública para adequação no recebimento de menores infratores apreendidos; reforma completa na Delegacia de Polícia Civil no ano de 2009; instalação de câmeras de segurança na cadeia pública e na Delegacia; aquisição de computadores para as Policias Militar e Civil; reparos e manutenções em viaturas policiais; Implantação nas escolas de projetos que orientam estudantes contra o crime; fornecimento de materiais de expediente e limpeza para as Policias, entre outras benfeitorias. 
O trabalho do conselho tem como fonte os parceiros da cidade, porém não recebe dinheiro público. Parte da arrecadação vem de penas alternativas que via de regra costuma ser de um à cinco salários mínimos devido perfil dos moradores da cidade.
O conselho reclama que sua função seria fiscalizar e suplementar, mas que nas situações relatadas teve que fazer o papel do Estado ao realizar desembolsos que visam subsidiar ações básicas relacionadas a segurança pública em Sonora. “Nunca falamos nada, apenas trabalhamos, mas a situação é alarmante, por isso decidimos gritar por socorro. Atualmente as polícias trabalham no limite do combustível, eles trabalham com cota diária muito abaixo do ideal. Não possuem condições de fazer uma perseguição longa, ou frequentar rotineiramente a zona rural, onde também ocorrem crimes. Sabemos que está longe do esperado, e que isso está acontecendo em todo o Estado. Temos 13 policiais enquanto que a lotação é de 30 na cidade”. 
Os diretores do Conselho explicam que a comunidade de Sonora é muito participativa e ajuda muito nas atividades, possibilitando cobrir a falha que eles entendem ser do Estado. “Temos boa vontade e contagiamos as pessoas. Somos pessoas comprometidas, mas queremos somar e não substituir o Estado”, explica representantes do Conselho.
Para o Conselho, cada agente público tem seu papel e sua principal missão é cumprir a lei. “Esperamos que o Estado cumpra seu papel. Sabemos que não é uma Dinamarca ou Noruega com armamentos pesados, prédios bonitos para a policia, mas que o necessário como combustível para trabalhar, armamento, polícia suficiente para funcionar é o mínimo. O Conselho faria a suplementação disso tudo, otimizando e fiscalizando”, justifica.
O Conselho apoia também o tratamento usuários de drogas, com ações que ajudaram nos últimos anos em torno de 40 (quarenta) dependentes, atualmente cerca de 07 (sete) pessoas estão em tratamento em comunidades terapêuticas. Trabalha também no apoio e implementação dos projetos desenvolvidos pela Polícia Militar como o “Proerd” e o “Bom de Bola, Bom na Escola”, tem um projeto em parceria com o Município para recolocação de ex-detentos (chamados de reeducandos) no mercado de trabalho. Enfim, o trabalho nesses 8 anos foram sem dúvida muito grandes, com muitos investimentos, mas chegou o momento de pedir socorro, e mostrar para a sociedade o que está acontecendo.