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Com terapia e apoio, mulheres dão fim a violência e iniciam ciclo de conquistas

5 OUT 2023 • POR (Natalia Yahn, Comunicação Governo de MS) • 08h50
  Bruno Rezende

Flora, Ana e Maria (nomes fictícios) são três mulheres que conseguiram vencer o ciclo da violência. Em comum elas viveram relacionamentos abusivos durante anos e deixaram para trás situações extremas, e até mesmo de risco à vida – delas e dos filhos –, com o apoio do CEAM (Centro de Atendimento à Mulher Cuña M’Baretê).
Em uma área tranquila e arborizada, próxima do centro de Campo Grande, a casa recebe centenas de mulheres que são atendidas por psicólogas para tratamento psicossocial que afasta cada uma delas dos agressores.
Conscientizar sobre os diversos tipos de violência é um trabalho que leva tempo, por isso o Governo do Estado é modelo no atendimento, que garante a terapia e todo o suporte durante o período necessário de tratamento. O CEAM é ligado a Setescc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania), por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para Mulheres.
Os nomes das três mulheres que aceitaram falar sobre o serviço prestado no CEAM são fictícios para proteção delas – e dos filhos –, mas os relatos emocionados que transmitem força e determinação são reais. Por isso, o texto contém informações importantes (e conteúdo sensível), e caso você seja vítima de violência (doméstica, familiar e de gênero), saiba que pode procurar ajuda (os telefones de contato estão abaixo).
Flora tem 40 anos e dois filhos de 12 e 7 anos. Ela só conseguiu deixar o marido abusivo em 2020, após o filho presenciar o pai - sob efeito de drogas - na sala da casa da família. A cena chocante para a criança, que na época tinha apenas 9 anos, foi a centelha de coragem que ela precisava para a separação de fato. “Dois anos antes deste fato, já estávamos separados, mas a gente vivia na mesma casa por conta das crianças. Ninguém sabia da minha situação e se eu falasse para alguém me chamariam de louca, porque ele é o tipo de pessoa que ninguém imagina que é abusador”.
A violência social, psicológica e financeira durou 13 anos. E o atendimento no CEAM ajudou Flora a se reerguer no momento mais frágil. “Quando meu filho viu ele sob o efeito de drogas na nossa casa, com substâncias espalhadas na sala, ele passou muito mal e disse que não queria mais ver o pai. Foi aí que nos separamos, e ele começou a me perseguir. Eu achava que logo passaria. Pois foi assim o meu relacionamento todo, ele sempre me impedindo de fazer as coisas, de trabalhar, de ter amigos, de sair de casa, até de tomar banho. Então quando via ele rondando a casa de madrugada, achava que era uma fase. Até que um dia ele tentou me sequestrar junto com as crianças”.
Graduada em duas faculdades, e com a vida financeira estável, ela não percebia que tudo que viveu durante o casamento e após a separação, era de fato violência. “Ele nunca me bateu, então quando ele dizia que eu não precisava trabalhar achava que estava só querendo sustentar a casa. Se ele dizia que ia em algum lugar e pedia para eu não ir com ele, eu atendia. Como não tinha violência física, eu suportei por muito mais tempo do que devia, e permiti muita coisa que hoje eu sei que é violência psicológica”.
A terapia que realiza uma vez por semana ajudou a ter consciência dos fatos e mais ainda, a sair definitivamente do ciclo de violência que em algum momento poderia expor ela e os filhos a outros tipos de abusos.
Uma das psicólogas que atende no CEAM, Lilía Oneto, explica que a partir da pandemia – em 2020 – houve aumento perceptível e exponencial dos casos de violência contra a mulher. “Durante e pós-pandemia aumentou muito os casos, e observamos que as lesões físicas são mais profundas. E as agressões psicológica e moral também. Não são mais palavras soltas no meio de uma briga, o que também é errado, é intencional e realmente para machucar e diminuir a mulher”.
Casos de estupro, tentativa de feminicídio e de suicídio, são atendidos de forma prioritária no CEAM, sem qualquer tipo de espera. As pacientes atendidas no local são encaminhadas de diversas formas, e também descobrem o serviço por conta própria.
A terapia ajuda as mulheres a se reconhecer como vítima de violência e a sair do ciclo cruel estabelecido por homens abusadores. “Por isso atentemos mulheres de qualquer classe social, que tenha ou não boletim de ocorrência e medidas protetivas. Mas nossa orientação é que sempre seja feito o registro, pois é fundamental para as políticas públicas da área”, explicou a psicóloga Lilía.
Além das psicólogas e encaminhamento social – inclusive para o mercado de trabalho – o CEAM também tem um bazar onde as mulheres assistidas recebem roupas, brinquedos para os filhos, e até itens domésticos. “É abastecido pela nossa equipe e por doações e ajuda de voluntárias, quando precisa a gente consegue até coisas para a casa”, disse a coordenadora.

Serviço
Caso você seja vítima de violência doméstica ligue 190 (Polícia Militar) e denuncie. O telefone da DEAM (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) – que fica na Casa da Mulher Brasileira, Rua Brasília, s/n – é (67) 2020-1300 / 1319.

Clique aqui (https://www.naosecale.ms.gov.br/delegacias-da-mulher/) para obter mais informações sobre atendimento à mulher vítima de violência em Mato Grosso do Sul.
No CEAM os telefones para informações e agendamentos são: 0800-067-1236 ou (67) 3361-7519.