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Entrevista – Padre Antônio Maria

22 JUL 2015 • POR Ana Flávia Dorsa • 08h35

Antônio Moreira Borges é seu nome civil, mas quando se tornou padre, Antônio acrescentou o nome de Maria, e virou padre Antonio Maria, como gratidão à obra da mãe do céu em sua vida. Hoje com quase 70 anos, o padre que queria ser cantor, tornou-se conhecido por suas aparições na Televisão, de suas apresentações musicais e sua missão através de uma suave voz que tem conquistado as pessoas e os artistas. Ontem ele celebrou uma missa em Coxim durante as festividades da Festa do Divino e concedeu com exclusividade uma entrevista ao Jornal Diário do Estado. 
Como se tornou padre?
Desde pequeno sempre estive muito na igreja, gostava sempre de estar no meio dos padres, mas o meu sonho sempre foi ser cantor e não padre. Sempre fui muito à igreja, participei muito mesmo durante adolescência, me preparei para a primeira comunhão, depois para a cruzada eucarística, depois entrei para a congregação com 14 anos, fui coroinha, ajudava a missa do padre e fui instrutor de coroinhas, pois na minha paróquia não havia coroinhas. Com 15 anos comecei a ensinar os outros meninos, e eu “celebrava” a missa para eles verem como era o procedimento dos coroinhas e assim o padre na época me indagou se eu não tinha interesse de seguir o sacerdócio. Sou de natureza prática e com essa minha encenação, o padre viu algum potencial e me perguntou se não gostaria de ser padre, e eu respondi  “Deus me livre”. Ele ainda pontuou que quem diz “Deus me Livre” geralmente se torna padre. Mas Deus foi me mostrando aos poucos, me dando sinais e eu comecei a sentir que Deus estava me chamando. 
Como tomou forma a carreira de cantor?
Deixei a ideia de ser cantor quando me tornei padre. Eu andava muito no meio artístico no Rio de Janeiro, minha irmã me levava nas rádios, nos auditórios, pois sabia da minha vontade de ser cantor, e aquilo para mim era um mundo extraordinário. Na época, os programas de auditório eram famosos, eu ia para ver os cantores se apresentar. Como fui para o seminário querendo posteriormente ser padre, abandonei a ideia de ser cantor, mas não abandonei o cantar. Cantei em todas as festas do seminário e aí quando fui ordenado padre, logo em seguida o bispo pediu para eu cantar. E essa foi à primeira tarefa que recebi ao me tornar padre, mesmo antes de celebrar uma missa eu cantei. Vi nisso que Deus me dizia “você fez a minha vontade e eu farei a sua”. Assim, conscientemente comecei a compor e cantar para evangelizar.
Qual a música que mais gosta de cantar, a que te emociona todas às vezes?
Tem uma música que eu compus a muitos anos chamada “Pai de Misericórdia”. É a musica que mais me toca ao coração por que realmente é o que eu experimentei e experimento na minha vida, um Pai muito bom, cheio de misericórdia. Eu nem canto muito essa música, mas para mim é muito significativa. Ma todas as músicas que eu canto, me tocam, pois só canto aquilo que acredito, que vivo.
Como aconteceu essa aproximação com os grandes nomes da música?
Eu acredito que isso aconteceu devido uma missão que Deus me deu, a de estar perto dessas pessoas, e Ele foi me preparando para essa missão. Penso que Deus preparou Moisés mandando ele primeiro para este lugar. Quando eu ia para os auditórios, via aqueles cantores, me aproximava desde criança com o meio artístico, então Deus já estava me colocando entre eles, foi algo natural essa simpatia entre os artistas e cantores e isso foi desde criança, mas depois de padre aconteceu aos poucos. O fato de minha amizade com o cantor Roberto Carlos que já dura há mais de 30 anos, também colaborou para isso, um vai puxando o outro e isso abriu o leque para outras amizades.
O senhor se incomoda com o título de padre dos artistas?
Não. Só não quero ser unicamente ser o padre dos artistas e sim do povo. Sou o padre de todos, dos pobres, dos ricos, das crianças, dos velhos, dos artistas. Mas é uma honra ser também dos artistas. 
O senhor já cantou para o papa João Paulo II. Como foi esta experiência?
Deus me deu uma vez o privilégio de poder uma vez celebrar com o papa João Paulo II uma missa na sua capelinha junto com outros dois secretários dele. Foi algo sublime poder estar com ele, poder conversar e falar da minha missão de padre cantor e de poder ter escutado dele em português o pedido “Caaaanta, caaanta” em tom bem alegre. Depois Deus me deu a oportunidade de estar com ele outras vezes. Cantei em uma festividade muito grande quando o fundador do movimento de Schaman, José Canister, completava 100 de nascimento, já no céu, então houve uma grande festa na Alemanha e em Roma, então nos festejos em Roma na presença do papa eu pude cantar. Nas estrofes cada um cantava na sua língua de origem, foi muito emocionante. 
Com o novo Papa já teve algum encontro?
Já tive esta oportunidade por três vezes. A mais recente foi em abril quando pude mostrar a ele meu novo CD o Papa Francisco, falei da minha missão de padre cantor e ele gostou da idéia. Nesta ocasião ele benzeu para mim um tercinho que eu iria entregar para o Roberto Carlos no seu aniversário, e quando mencionei o nome do cantor ele disse que reconhecia o artista brasileiro. Ele ainda encaminhou um abraço para o nosso querido cantor Roberto e eu registrei o momento com uma foto que também coloquei nas mãos deste amigo.
Como vê a atuação do novo papa, com um discurso diferente que vem aproximando as pessoas e as nações?
Eu sinto muito eco em tudo que aquilo que acreditei que procurei fazer ao longo da vida. Sempre digo para as pessoas que não preparem tanto as coisas, pois precisamos nos deixar surpreender, vamos dar lugar para Deus trabalhar também, e o Papa fala isso muitas vezes, “Vamos nos deixar surpreender”. Me identifico muito com ele, para mim, ele é um grande presente. Com 40 anos de padre e 70 anos de vida eu digo que o Papa Francisco é um dos maiores presentes que Deus me enviou. 
Já conhecia Coxim?
Sim, estive na cidade por volta de 1983, quando ainda era um padrezinho novo. Vim aqui em um encontro de jovens.
Já conhecia o padre Micael e o bispo Dom Antonino? 
Não, estou tendo este prazer, são muito gente boa, muito hospitaleiros. 
Sobre a festa do Divino, qual a importância para a fé católica, para a tradição da igreja?
Sem o Divino Espírito Santo não há nada, então, participar desta festa para mim é estar aberto para que Deus mande todos os dons que eu preciso para ser o que devo ser, como filho de Deus, como irmão dos irmãos, como padre, como mensageiro, como cantor. Participar da Festa do Divino é receber a graça e os dons do Espírito Santo. Sei que é uma festa que o povo reverencia muito e estou feliz de participar.