Logo Diário do Estado

Matheus nunca voltará, mas precisava dessa resposta, diz mãe em julgamento de estudante morto em MS

20 JUL 2023 • POR g1 MS • 17h36
  Cristina de Almeida e Paulo Roberto Xavier, pais de Matheus, se abraçam ao final do julgamento. (Gustavo Arakaki)

“Matheus nunca voltará, mas eu precisava dessa resposta”, este foi o relato de Cristiane de Almeida Coutinho, ao escutar a sentença do julgamento da morte do filho Matheus Coutinho Xavier, de 20 anos, que foi assassinado em abril de 2019. A advogada participou do júri da morte do próprio filho como assistente de acusação.

“O coração de mãe está em paz, mas também não deixo de sentir tristeza, porque nunca deixarei de sentir. O Matheus nunca voltará, mas eu precisava dessa resposta”, disse minutos após o juiz anunciar a sentença dos réus.

O empresário Jamil Name Filho, o Jamilzinho, foi condenado a 20 anos de prisão por homicídio qualificado por motivo torpe e embosca e 3 anos e 6 meses por porte ilegal de arma. Vladenilson Daniel Olmedo foi condenado pelos mesmos crimes, mas com pena de 21 anos e 6 meses. Marcelo Rios, além de homicídio e porte de arma, também foi sentenciado por receptação do carro usado na execução, tendo a pena de 23 anos.

O julgamento durou três dias, um dos mais longos da história de Mato Grosso do Sul, e terminou na noite desta quarta-feira (19), na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande.

Durante o último dia de julgamento, Cristiane usou a beca que recebeu de presente dos promotores, em que consta o nome dela e de Matheus. O jovem era acadêmico de Direito e sonhava participar de júri popular. “A homenagem é uma honra”.

O júri do chamado "Julgamento da Década" no estado, entendeu que Jamilzinho, como chefe de uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho, “encomendou” a morte do pai do estudante, o capitão reformado da Polícia Militar, Paulo Xavier, e que Matheus acabou sendo assassinado por engano pelos pistoleiros contratados pelo grupo.

Ao g1, Paulo Xavier, o pai de Matheus e o verdadeiro alvo dos disparos que mataram o filho, disse que se sente feliz por honrar a memória do filho. “Primeiramente, não vai trazer meu filho de volta, mas é um passo dado para poder aquecer a alma do meu filho, que até hoje, estava quatro anos aguardando. O sentimento de justiça é importante e, por isso, trabalhamos desde o início. Nunca foi por vingança”.