Médico preso por dirigir bêbado se torna réu pela terceira vez
27 JUN 2023 • POR Conteúdo MS • 09h16O médico João Pedro da Silva Miranda se tornou réu pela 3ª vez por dirigir embriagado. Ele foi preso no dia 8 de junho, depois de causar um acidente de trânsito no cruzamento entre a rua Doutor Paulo Machado e avenida Arquiteto Rubens Gil de Camillo, em Campo Grande.
A denúncia do MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) foi aceita pelo juiz Waldir Peixoto Barbosa, da 5º Vara Criminal Residual. O médico agora responde por lesão corporal culposa, quando não há intenção de ferir a vítima.
Quando se envolveu no acidente, o médico estava com a CNH suspensa. A motorista do carro, de 28 anos, teve ferimentos e foi levada para santa casa com suspeita de fratura no quadril.
Conforme a denúncia do MP, João Pedro disse aos policiais que a vítima desrespeitou a sinalização do semáforo, o que teria provocado a batida. Contudo, circuito de segurança mostraram o contrário: foi o médico quem furou o sinal vermelho.
Ainda segundo a denúncia, os policiais militares que estiveram no local constataram que ele "apresentava nítidos sinais de embriaguez", com "olhos vermelhos e exalando odor etílico", mas se recusou a fazer o teste do bafômetro. Testemunhas contaram ainda que ele estava "em alta velocidade e mal conseguia permanecer de pé, de modo que não possuía qualquer condição de socorrer a vítima, já que aparentava estar muito embriagado".
A defesa do médico, Benedicto Figueiredo, classifica o acidente como uma fatalidade. Reforçou que o cliente prestou socorro à vítima e não se ausentou, colaborando com os agentes de segurança.
"Ele respondeu por um processo culposo, que permite que ele responda em liberdade, tendo em vista que a finalidade do processo, a pena, não será reclusão a ponto dele ficar em pena privativa de liberdade", declarou.
Reincidente
É a terceira vez que ele se envolve em acidentes enquanto estava embriagado. Em 2017, o então estudante dirigia uma camionete quando bateu em um carro onde estavam cinco pessoas. Após o acidente, deixou o local sem prestar socorro, mas esqueceu a carteira com os documentos.
O pai dele procurou a polícia e assumiu que estava dirigindo no lugar do filho, apesar de fotos mostrarem João Pedro ao lado do carro atingido pela caminhonete logo após o acidente. Uma testemunha também afirmou que ele estava com cheiro de álcool, e que precisava se apoiar no carro pra conseguir ficar em pé.
No mesmo ano, a 60 metros o local deste acidente, João Pedro se envolveu em uma outra batida, que resultou na morte da estudante de direito Carolina Albuquerque Machado, de 24 anos. Imagens de câmeras de segurança mostraram que Carolina furou o sinal vermelho ao tentar cruzar a avenida.
O carro dela foi atingido na lateral pela camionete, do então estudante de medicina, que vinha em alta velocidade pela via. O filho dela, que tinha três anos na época e também estava no carro, sobreviveu. João Pedro outra vez fugiu do local sem socorrer as vítimas.
Na época o médico chegou a ser preso, mas foi liberado depois de pagar R$ 50 mil de fiança. Ele só foi condenado pela morte da advogada em 2021; a pena foi de dois anos e 7 meses de detenção e recorre à Justiça.
Amanhã (27) será julgado na 2ª Câmara Municipal do Tribunal de Justiça um recurso dos advogados de acusação contra João Pedro, pedindo o aumento da pena dele.
